O mercado do boi gordo inicia a semana com um cenário favorável ao pecuarista, sustentado principalmente pela oferta limitada de animais prontos para abate. Mesmo após o preenchimento da cota chinesa de importação de carne bovina brasileira, frigoríficos ainda encontram dificuldades para alongar as escalas, enquanto as principais praças produtoras mantêm a arroba em patamares elevados.
Na segunda-feira (10), a Agrifatto registrou estabilidade nas 17 praças acompanhadas pela consultoria. Em São Paulo, o boi gordo, com ou sem padrão para exportação, permaneceu em R$ 355 por arroba, a prazo. Já a Scot Consultoria apontou R$ 350/@ para o boi destinado ao mercado interno e R$ 352/@ para o chamado boi China, também em valores brutos e a prazo.
Mais do que a estabilidade das cotações, porém, o comportamento das escalas de abate continua sendo um dos principais pontos de atenção. Segundo a Agrifatto, as programações dos frigoríficos atendem, em média, seis dias úteis no país. A dificuldade para encontrar animais terminados limita o poder de compra da indústria e mantém o produtor em uma posição mais favorável nas negociações.
A Agrifatto avalia que o cenário mantém o poder de negociação do pecuarista e alimenta a expectativa de novos reajustes da arroba no curto e médio prazo. Algumas unidades frigoríficas reduziram o ritmo de produção ou suspenderam temporariamente os abates, inclusive com concessão de férias, diante da menor disponibilidade de gado.
A situação, entretanto, não é igual entre todas as empresas. Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, observa que os frigoríficos de maior porte encontram melhores condições para alongar as programações, diante da expectativa de maior entrada de animais de parceria ao longo de agosto. As indústrias menores, por outro lado, continuam trabalhando com escalas mais apertadas e maior necessidade de compra.
Para Iglesias, a evolução das escalas e o ritmo das exportações continuam entre as principais variáveis para determinar o comportamento dos preços. “A evolução das escalas de abate e o ritmo semanal de exportação seguem como variáveis importantes para a formação de preço e de tendência no curto prazo”, afirmou o analista.
Em São Paulo, as diferentes metodologias utilizadas pelas consultorias resultam em referências distintas, mas todas apontam para um mercado operando acima dos R$ 350 por arroba. Além dos R$ 355/@ da Agrifatto e dos R$ 350/@ indicados pela Scot, a Safras & Mercado apontou referência média de R$ 351,50/@.
Nas demais regiões acompanhadas pela Safras, o boi gordo foi cotado a R$ 343,05/@ em Mato Grosso do Sul, R$ 337,12/@ em Minas Gerais, R$ 336,46/@ em Goiás e R$ 332,73/@ em Mato Grosso. O movimento também alcançou as fêmeas: segundo a Scot, a vaca gorda subiu R$ 3/@ em São Paulo, para R$ 325/@, enquanto a novilha permaneceu em R$ 337/@.
Outro sinal de atenção aparece no mercado futuro da B3. Apesar de uma realização pontual de lucros nos contratos mais longos, as cotações futuras continuam sinalizando preços elevados para os próximos meses. O contrato de agosto avançou 0,41% na última semana, para R$ 346,40/@, enquanto setembro encerrou a R$ 347,20/@. Outubro ficou em R$ 353,30/@ e novembro, após recuo semanal, em R$ 355,30/@.
Na ponta mais longa da curva, a Agrifatto identificou prêmio de R$ 15,69 por arroba no contrato de dezembro em relação ao preço de balcão utilizado pela consultoria. O mercado futuro, porém, não representa garantia de valorização, já que os contratos incorporam expectativas e podem sofrer alterações conforme a oferta, demanda, exportações e condições econômicas.
A firmeza também chegou ao mercado atacadista. A Agrifatto registrou a terceira semana consecutiva de valorização da carcaça casada bovina em São Paulo, que avançou 2,43% na semana encerrada em 7 de agosto, para R$ 24,14/kg. A ponta de agulha subiu 2,84%, para R$ 20,28/kg, enquanto o dianteiro avançou 1,64%, para R$ 21,42/kg, e o traseiro teve alta de 2,81%, chegando a R$ 27,42/kg.
Apesar disso, a carne bovina enfrenta uma perda de competitividade diante das proteínas concorrentes. O frango resfriado recuou para R$ 6,92/kg, enquanto a carcaça especial suína caiu 7,24%, para R$ 7,56/kg. Para a Safras & Mercado, essa diferença pode limitar novas altas no atacado caso o consumo doméstico perca força.
Para o pecuarista, o principal fundamento continua sendo a oferta restrita de animais terminados. Enquanto os frigoríficos enfrentarem dificuldades para formar escalas confortáveis, a capacidade de pressionar os preços tende a permanecer limitada. As exportações também serão decisivas, já que embarques fortes aumentam a necessidade de matéria prima em um período de menor disponibilidade.
O equilíbrio dos próximos dias dependerá, portanto, da relação entre oferta, escalas e demanda. Escalas curtas favorecem o produtor, enquanto uma eventual ampliação da oferta tende a dar mais força à indústria. Por enquanto, os dados das consultorias apontam para um mercado firme, com a arroba acima dos R$ 350 em São Paulo e novas altas permanecendo no radar do boi gordo.



