Boi gordo em “clima de férias” e comportamento misto pelas praças pecuárias; veja as cotações

O mercado do boi gordo abriu a primeira semana útil de 2026 em um ambiente típico de início de ano, marcado por ritmo lento de negociações, consumo mais fraco no mercado interno e comportamento misto dos preços entre as praças pecuárias. Enquanto algumas regiões registram valorização da arroba, sustentada pelo encurtamento das escalas de abate, outras enfrentam pressão pontual de baixa, reflexo da maior oferta de animais e da cautela das indústrias.

Esse cenário, frequentemente descrito pelo setor como um “clima de férias”, combina a ressaca do consumo pós-festas, o orçamento das famílias pressionado por despesas sazonais e um mercado exportador ainda digerindo mudanças recentes nas regras internacionais.

Oferta curta sustenta preços do boi gordo em parte do país

De acordo com análise da Safras & Mercado, os frigoríficos retomaram as compras em janeiro com cotações mais altas em algumas praças, especialmente em São Paulo, devido ao encurtamento das escalas de abate. A oferta de animais terminados a pasto segue limitada, o que dificulta a recomposição das escalas e dá sustentação aos preços em determinadas regiões .

Na média das principais praças acompanhadas no início da semana, as referências da arroba ficaram em:

  • São Paulo: R$ 321/@
  • Minas Gerais: R$ 314,41/@
  • Goiás: R$ 312,86/@
  • Mato Grosso do Sul: R$ 312,50/@
  • Mato Grosso: R$ 300,70/@

O movimento indica que, apesar da lentidão típica do período, a oferta controlada de boiadas prontas impede quedas mais acentuadas, principalmente em regiões com maior dependência de animais terminados a pasto.

São Paulo registra ajuste pontual de baixa

Na contramão desse movimento, o mercado paulista apresentou queda pontual nos preços em determinados negócios. Segundo levantamento da Scot Consultoria, houve aumento da oferta de animais terminados em relação ao fim de 2025, o que abriu espaço para uma retração de R$ 2/@ no boi gordo sem padrão-exportação, negociado em R$ 317/@ no prazo .

Para as demais categorias em São Paulo, os preços permaneceram estáveis:

  • Vaca gorda: R$ 302/@
  • Novilha: R$ 312/@
  • Boi-China: R$ 322/@

Consultorias classificam o momento como de “ressaca pós-festas”, com menor apetite de compra por parte das indústrias e negócios acontecendo de forma seletiva.

Atacado travado e consumo mais cauteloso

No mercado atacadista, o início de 2026 também é de acomodação dos preços. O padrão de consumo do primeiro trimestre favorece proteínas mais acessíveis, como frango, ovos e embutidos, diante do impacto de despesas como IPTU, IPVA e material escolar no orçamento das famílias.

Os preços dos principais cortes permaneceram praticamente estáveis:

  • Quarto dianteiro: R$ 17,85/kg
  • Quarto traseiro: R$ 25,40/kg
  • Ponta de agulha: R$ 17,50/kg

A carcaça casada bovina segue negociada próxima de R$ 22,01/kg, com leves recuos semanais em alguns cortes, reforçando o cenário de demanda contida no varejo.

Exportações e China no radar do mercado

No pano de fundo do mercado, seguem no radar as salvaguardas impostas pela China, que estabeleceram cotas anuais para importações de carne bovina e tarifa adicional de 55% sobre volumes que ultrapassarem os limites. Para o Brasil, a cota em 2026 ficou em 1,106 milhão de toneladas, com validade até 2028.

Apesar da apreensão inicial, analistas observam que os importadores chineses voltaram às compras pagando mais pela proteína, movimento que ajudou a limitar pressões negativas mais fortes sobre a arroba no curto prazo.

Perspectiva para os próximos dias

A expectativa do setor é de que o mercado siga andando de lado, com oscilações pontuais entre praças, até que o consumo interno ganhe mais tração e as exportações definam um ritmo mais claro dentro do novo cenário internacional.

Enquanto isso, o boi gordo segue em compasso de espera, com produtores atentos às oportunidades e frigoríficos operando com cautela — um retrato fiel do tradicional “clima de férias” que marca o início do ano no mercado pecuário brasileiro.

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