O agronegócio brasileiro empregou 28,2 milhões de pessoas em 2024, aumento de 1% (ou de aproximadamente 278 mil pessoas) frente ao ano anterior, conforme indicam pesquisas realizadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, o impulso veio do aumento no contingente de pessoas atuando em insumos (alta de 3,6% entre 2023 e 2024, ou de aproximadamente 10,97 mil pessoas), nas agroindústrias (5,2% ou 231,76 mil pessoas) e, principalmente, nos agrosserviços (3,4% ou 337,65 mil pessoas).
No segmento de insumos, o avanço no contingente ocupado deve-se exclusivamente ao crescimento da população que atua na indústria de rações (que aumentou 14,6% de 2023 para 2024, ou 18,04 mil pessoas), uma vez que a indústria de medicamentos veterinários registrou avanço modesto (de 2,1%, ou de 395 pessoas) e as demais apresentaram redução.
Dentre as atividades agroindustriais, pesquisadores do Cepea/CNA destacam os segmentos de abate de animais (7,2% ou 43.760 pessoas), massas e outros alimentos (10,4% ou 40.617 pessoas), móveis de madeira (6,6% ou 32.167 pessoas) e moagem e produtos amiláceos (14,6% ou 22.588 pessoas), que, juntos, adicionaram 139.131 trabalhadores ao setor.
De acordo com pesquisadores do Cepea/CNA, essa expansão da agroindústria impulsionou a demanda por serviços, aquecendo o mercado de trabalho nos agrosserviços e refletindo a crescente complexidade operacional de algumas atividades industriais, que exigem uma ampla rede de serviços especializados.
No segmento primário, por outro lado, a população ocupada caiu 3,7% (o equivalente a 302 mil pessoas), influenciada pelas retrações no número de pessoas atuando na agricultura (queda de 3,1% ou de 167 mil pessoas) e na pecuária (baixa de 4,7% ou de 135 mil pessoas).
Perfil – De 2023 para 2024, pesquisadores do Cepea/CNA indicam que o crescimento do agronegócio foi impulsionado pelo aumento no número de empregados com e sem carteira assinada, pela maior participação de trabalhadores com nível educacional mais elevado, seguindo uma tendência histórica do setor, e, principalmente, pela maior presença feminina.
Em 2024, os rendimentos mensais dos empregados no agronegócio cresceram 4,5% em relação a 2023, superando o aumento registrado no mercado de trabalho geral (4,0%).
Entre os empregadores do setor, houve avanço nos rendimentos, de 1,6% na comparação anual, abaixo do observado no mercado de trabalho geral (2,9%).
Já os trabalhadores por conta própria tiveram incremento de 3,3% ao ano, também inferior ao crescimento verificado no mercado de trabalho geral (5,7%).
