Com safra equilibrada, Brasil pode colher 182 milhões de toneladas de soja, diz Agroconsult

O Brasil inicia a colheita da safra de soja 2025/2026 em um cenário climático considerado o mais equilibrado da última década. Com isso, há o potencial de o País alcançar uma produção recorde, de 182,2 milhões de toneladas, segundo projeções apresentadas pela Agroconsult durante coletiva de imprensa da abertura oficial do Rally da Safra, nesta quinta-feira, 15. Caso o número se confirme, o volume representará um crescimento de 10,1 milhões de toneladas, ou quase 6%, em relação à safra anterior. 

De acordo com André Debastiani, coordenador do Rally da Safra e sócio-diretor da Agroconsult, o principal diferencial do atual ciclo é a ausência de problemas climáticos ou questões produtivas crônicas nas grandes regiões produtoras do País — situação que não se repetia há quase uma década. “Faz muito tempo que o Brasil não começa uma safra com uma condição tão favorável como a que estamos vendo agora. Todas as regiões apresentam desempenho comparável e não há, neste momento, nenhum grande foco de quebra”, afirmou Debastiani.

A consultoria define o ciclo 2025/2026 como a “safra do recorde das médias”. Diferentemente de anos anteriores, quando estados específicos registraram produtividades excepcionais enquanto outros enfrentaram perdas severas, o cenário atual é marcado por desempenhos mais homogêneos entre as regiões. Isso reduz extremos negativos e sustenta uma produtividade média nacional mais elevada.

A Agroconsult trabalha, neste início de Rally, com uma produtividade média de 62,3 sacas por hectare, acima do patamar observado nas últimas safras. A área plantada com soja também segue em expansão e deve atingir 48,8 milhões de hectares — crescimento de cerca de 980 mil hectares em relação ao ciclo anterior.

Expansão de área mais lenta

Mesmo em um ambiente de margens apertadas, crédito caro e maior restrição financeira, a agricultura brasileira voltou a expandir a área cultivada. 

A Agroconsult observa que o avanço da soja ocorre em ritmo mais lento do que na última década — quando a expansão média anual chegou a 1,7 milhão de hectares —, mas ainda assim revela a resiliência do setor. “O crescimento da área acontece apesar de um cenário econômico desafiador. Isso mostra que o produtor brasileiro continua investindo, olhando o longo prazo e apostando na eficiência produtiva”, destacou Debastiani.

Os três maiores incrementos de área foram identificados em:

Mato Grosso: +270 mil hectares;
Goiás: +160 mil hectares;
Matopiba: +108 mil hectares;

O único Estado com leve retração é o Rio Grande do Sul, que deve reduzir cerca de 42 mil hectares. No entanto, esse movimento é considerado marginal diante de uma área total superior a 6,7 milhões de hectares.

Clima mais regular e baixo replantio

Do ponto de vista climático, a consultoria destaca que a safra começou de forma irregular, com atrasos no plantio em regiões como Goiás, Minas Gerais, Tocantins e Maranhão. Enquanto isso, áreas do Paraná e do sul de Mato Grosso do Sul registraram o plantio mais adiantado da história.

No entanto, a regularização das chuvas a partir do final de novembro, seguida por um dezembro e início de janeiro bastante favoráveis, contribuiu para uma boa condição inicial das lavouras em praticamente todo o País.

Um dos destaques positivos é o baixo índice de replantio, bem inferior ao observado em safras como 2019/2020 e 2023/2024. Segundo a Agroconsult, isso reflete um comportamento mais cauteloso do produtor, que aguardou condições adequadas de umidade no solo antes de iniciar o plantio. “Hoje, o clima tem sido um aliado. […] Mas a gente depende do comportamento do clima até final de março para a gente consolidar esses números”, avalia Debastiani.

Recuperação de produtividade no RS, após perdas climáticas

Entre os Estados, a Agroconsult projeta uma forte recuperação no Rio Grande do Sul, que sofreu perdas consecutivas nas últimas temporadas. Para o ciclo atual, a consultoria projeta uma produtividade em 52 sacas por hectare e produção que pode ultrapassar 21 milhões de toneladas, frente aos cerca de 15 milhões colhidos na safra anterior. 

No Paraná, onde o plantio foi o mais rápido da história, a produtividade é estimada em 65 sacas por hectare. No entanto, há atenção para possíveis atrasos de colheita causados pelo excesso de chuva e dias nublados.

O Mato Grosso, maior produtor nacional, trabalha com uma produtividade potencial de 65 sacas por hectare. A principal preocupação no Estado está no impacto do calendário da soja sobre o milho segunda safra e o algodão.

Com base nas análises atuais, trabalha-se com uma produtividade média nacional de 62,3 sacas por hectare, com possibilidade de revisões positivas caso as condições climáticas se mantenham favoráveis nas próximas semanas. “Começamos esta safra revisando a produtividade para cima, algo raro nos últimos anos. Se o clima continuar colaborando, não descartamos revisões positivas ao longo do Rally”, salientou Debastiani.

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