“Comecei a gritar socorro”: trabalhador conta como sobreviveu ao colapso da ponte Frei Paolino Baldassari

Weverton Murieta é um dos quatro feridos no desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, na noite desta sexta-feira, 5. Ele e o amigo Antônio Morais Filho haviam acabado de descarregar um caminhão de mercadorias quando encontraram o juiz aposentado Edinaldo Muniz e o irmão dele, Edinei Muniz, na ponte interditada.

Foi o próprio Edinaldo quem pediu à dupla que o acompanhasse até a rachadura na estrutura. Weverton concordou na hora. “Eu disse: ‘Rapaz, então bora acompanhar ele, que é doutor’. Ele perguntou onde era a falha da ponte, pediu para ir com ele, aí quando eu passei na frente para mostrar, eu cheguei pertinho, a ponte desabou”, contou o sobrevivente.

A queda foi instantânea. Weverton descreve com detalhes o momento em que foi levado pelas águas do Rio Iaco. “Eu desci direto para o fundo do rio, encostei no fundo do rio, consegui boiar debaixo da ponte, fiquei procurando um canto, nadando debaixo da ponte. Subi em cima da ponte de novo, que estava arriada”, relatou.

Ao conseguir sair da água, Weverton foi direto procurar o amigo entre os escombros. O que encontrou o fez gritar por ajuda. “Eu corri em cima da ponte procurando o meu amigo, vi ele deitado, tinham uns ferros nele. Vi que estava respirando e comecei a gritar ‘socorro, socorro'”, acrescentou o trabalhador.

Os quatro feridos foram atendidos e socorridos após o colapso da estrutura, que havia sido interditada preventivamente no dia anterior por risco estrutural. O desabamento da ponte, que custou mais de R$ 36 milhões, acendeu o alerta sobre a qualidade das obras públicas no interior do Acre e já motivou a abertura de investigações pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas.

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