Construção civil perde espaço na economia e vê produtividade cair mais de 20%, aponta CNI

Estudo destaca avanço da informalidade, baixa qualificação profissional e necessidade de modernização para recuperar a competitividade do setor

A construção civil brasileira vem perdendo relevância na economia nacional e enfrenta um cenário de baixa produtividade. Segundo estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 6,4% em 2013 para 3,6% em 2024. Além disso, a produtividade por trabalhador registrou uma queda de 20,4% entre 1995 e 2024, evidenciando os desafios enfrentados pela atividade.

O levantamento, intitulado “Construção no Brasil: Agenda para Modernização do Setor”, mostra que cada trabalhador da construção gerou, em média, R$ 41,3 mil por ano em 2024, valor inferior à metade da produtividade observada na indústria de transformação. Para a CNI, os números reforçam a necessidade de investimentos em inovação, qualificação profissional e melhorias nos processos produtivos.

Entre os principais fatores apontados para o baixo desempenho estão a elevada informalidade, a baixa escolaridade dos trabalhadores e a lenta adoção de tecnologias digitais. Em 2021, apenas 25% dos empregos da construção possuíam vínculo formal, enquanto na indústria de transformação esse índice alcançava 66%. O estudo também revela que somente 7,8% dos trabalhadores do setor tinham ensino superior, o que dificulta a incorporação de novas tecnologias e métodos de gestão.

A CNI destaca que a construção industrializada pode ser uma das principais soluções para reverter esse cenário. O modelo utiliza componentes produzidos previamente em fábricas e montados posteriormente nos canteiros de obras, permitindo reduzir desperdícios, melhorar a qualidade das construções e acelerar a entrega de empreendimentos. A medida ganha ainda mais relevância diante do déficit habitacional de 5,97 milhões de moradias e da necessidade de ampliar os investimentos em infraestrutura no país.

Apesar das vantagens, a adoção de sistemas industrializados ainda ocorre de forma limitada. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) citados pela CNI indicam que 64,5% das empresas utilizam algum processo industrializado, mas em 58,4% dos casos essas soluções estão presentes em apenas metade das obras realizadas. Para a entidade, ampliar a digitalização, reduzir a informalidade, qualificar a mão de obra e expandir o uso de métodos construtivos modernos serão passos fundamentais para aumentar a produtividade e a competitividade da construção civil nos próximos anos.

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