Transacreana ameaça não renovar acordo com o governo se não receber subsídios; Viação Marlim, de Rondônia, já manifestou interesse em operar as linhas acreanas.
O transporte intermunicipal de passageiros no Acre vive um momento de incerteza. O contrato entre a empresa Transacreana e a Agência de Regulação do Acre (AGEAC) vence no próximo mês de julho e, até o momento, nenhum chamamento público foi aberto para o credenciamento de uma nova operadora. A ausência de movimentação por parte da autarquia estadual preocupa e levanta uma questão direta: o que acontece com os milhares de usuários que dependem diariamente do serviço caso o contrato não seja renovado?
No centro do impasse está uma ameaça da própria Transacreana. A empresa, que opera com exclusividade todas as linhas entre Rio Branco e mais de doze municípios acreanos, além da linha para Boca do Acre, no Amazonas, sinalizou que pode não renovar o contrato caso o poder público não repasse subsídios para manter as operações. A justificativa apresentada são os prejuízos financeiros causados pelas gratuidades, mas a empresa não menciona, no documento encaminhado à AGEAC, que atua com monopólio absoluto no setor dentro do estado.
Enquanto a AGEAC permanece em silêncio público sobre o tema, uma empresa de fora do estado já se movimentou. A Viação Marlim, com sede em Porto Velho, manifestou interesse em operar os trechos hoje explorados pela Transacreana e se colocou à disposição para trazer frota e iniciar as operações caso o setor fique descoberto com o vencimento do contrato. A empresa já atua na linha Porto Velho e Cruzeiro do Sul, mas enfrenta fiscalização rigorosa por parte da AGEAC, medida que, segundo apuração, não é adotada com a mesma intensidade em relação à Transacreana.
A Viação Marlim não é uma operadora pequena. Além de Rondônia, a empresa atua nos estados do Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Distrito Federal, Paraná e Santa Catarina, o que indica capacidade operacional para assumir as linhas acreanas caso seja aberto o processo de credenciamento.
Com o prazo se aproximando e a AGEAC sem dar respostas públicas, o risco concreto é que o Acre chegue ao mês de julho sem contrato vigente, sem nova empresa credenciada e sem garantia de continuidade de um serviço essencial para a população do interior do estado. O cenário coloca em evidência não apenas a fragilidade do modelo atual, mas também a ausência de planejamento regulatório por parte do poder público estadual.



