De tudo um pouco

Crise da meia-idade. Embarque e boa viagem

A juventude, segundo pesquisadores britânicos da Universidade de Kent, termina aos 35 anos de idade. E a chamada terceira idade, ou “melhor idade”, como queiram chamá-la, começa aos 58 anos. Os 23 anos entre essas duas etapas equivalem ao que a ciência chama de meia-idade. Uma oportuna fase da vida para se reinventar.

Desde o final do século passado e também nas primeiras décadas do século XXI, o que se tem observado é que boa parte das pessoas tem constatado que todos os seus processos educativo, familiar, acadêmico e formal não as prepara para um processo reflexivo. E que seu maior desafio consiste em assumir a autoria e as consequências da sua própria história. Do seu próprio projeto de vida.

Essa sedutora tarefa de ser o timoneiro da sua vida é, como diriam os mais antigos, “uma responsabilidade do chuchu”. O que já conquistei? O que ainda tenho para construir? Quanto tempo? Não é nada fácil saber que se tem mais tempo de retrovisor do que de para-brisa, mais passado do que futuro, mais ontem do que amanhã. E isso tudo dá um medo, né? Já passou por isso? Como foi? Ainda não? Apenas aguarde.  E não tenha medo. É inevitável. Está passando por isso? Então saiba que é apenas a famosa crise da meia-idade tocando a campainha. Deixe-a entrar de forma suave. Ela entrará de qualquer maneira mesmo. Portanto, aperte o cinto e curta a viagem.

Segundo Laurence Peter, famoso educador canadense, a meia-idade é quando você para de criticar os mais velhos e começa a criticar os mais novos. É a partir da meia-idade que, ao realizarmos uma parada para avaliação de nossas vidas, pode surgir à sensação de que os arrependimentos estão se tornando maiores do que os sonhos. E é exatamente aí que temos a oportunidade de transformar todo esse turbilhão de emoções, em um momento de inflexão. É chegada a hora de olhar mais para dentro do que para fora. Viajar para dentro de si. E lembre-se: ninguém nunca falou que seria fácil. Mas pode ser fascinante. Depende de você!

A expressão “crise da meia-idade” foi criada em 1965, pelo médico canadense Elliott Jaques, para descrever uma forma de insegurança sofrida por alguns indivíduos que estão passando pela meia-idade; quando percebem que a juventude está indo embora e a idade avançada, bate-lhe à porta.

A crise da meia-idade é, na verdade, um conjunto de sentimentos e pode se manifestar de diversas formas. Por exemplo, a busca de um novo sonho ou objetivo de vida, ou a indigesta necessidade de superar um sentimento ruim por metas não cumpridas e, via de regra, vontade de reexperimentar prazeres, geralmente preservados na memória de juventude.

Não adianta fugir. Retardar é uma possibilidade. Mas ela virá. Pode ser aos 35, 40, 50… ela irá chegar. O filósofo Platão nos ensinou a “não esperar por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida”. Mas quando ela inevitavelmente chegar até você, mergulhe fundo e nade de braçada. A viagem pode lhe ser maravilhosa.

Vou meter o pé! Beijo e até a semana que vem.