Ordens do Vaticano

Diocese de Rio Branco vai receber denúncias de abusos sexuais contra padres e religiosos católicos no Acre

O bispo da Diocese de Rio Branco, Dom Joaquim Pertíñez Fernández, disse que o decreto do Papa Francisco, divulgado na última quinta-feira (9), determinando a padres e religiosos a obrigatoriedade de denunciarem às autoridades eclesiásticas quaisquer suspeitas de abusos sexuais. A determinação será cumprida rigorosamente no Acre, acrescentou Dom Joaquim.

Ciente das ordens do Vaticano, o bispo afirma ainda estar providenciando as medidas necessárias para receber as denúncias e encaminhá-las às autoridades competentes.

Dom Joaquim diz que providências estão sendo tomadas/Internet

Em entrevista concedida ao portal Diário do Acre na manhã do último sábado (11), Dom Joaquim afirmou ser necessário ter muita cautela com o assunto, dada a sua delicadeza. De acordo com ele, as denúncias serão tratadas uma a uma – e de forma sigilosa – na medida em que forem chegando ao conhecimento da Igreja Católica.

“Ordens são ordens, e vindas do Vaticano cabe a nós providenciar as medidas necessárias para coloca-las em prática. Quanto ao recebimento das denúncias de abuso sexual, em existindo, a reportaremos às nossas autoridades eclesiais”, declarou o bispo.

O decreto papal Vos estis lux mundi (Vós sois a luz do mundo) é divulgado em um momento em que a Igreja é alvo de diversas denúncias de crimes sexuais, desde pedofilia até abuso contra freiras.

Muito embora em muitos países existam casos de denúncias de abuso sexual contra padres e outros religiosos católicos, Dom Joaquim afirma que em Rio Branco, pelo menos até onde ele sabe, em especial na Diocese que administra, não há nenhum caso específico nesse sentido.

“Não tenho conhecimento na nossa Diocese de nenhum caso de abuso sexual e crime de pedofilia, estupros ou algo do gênero praticado por nossos padres e religiosos”, assegurou.

Ordem partiu direto do Vaticano/Internet

No decreto emanado do Vaticano, o Papa Francisco orienta ainda os religiosos a acolher, escutar e acompanhar as vítimas e suas respectivas famílias. O pontífice, porém, ressaltou a manutenção da inviolabilidade do sigilo da confissão. Assim, exclui eventuais denúncias feitas a partir de relatos de fiéis nos confessionários.

Por fim, Dom Joaquim, voltou a reafirmar que todas as normativas decretadas pelo Papa serão acatadas sem ressalvas.

“Na igreja não há o que se discutir. Se a sua santidade manda, cabe tão-somente a nós acatar o que nos foi ordenado e colocar em prática”, finalizou.

O que diz o decreto do Papa

Religiosos podem ser responsabilizados por acobertar casos de abuso Dioceses têm um ano para criar sistemas simples e acessíveis de notificação de denúncias.

Denúncia pode ser enviada para arcebispo metropolitano ou diretamente para a Santa Sé, dependendo do caso.

Dioceses devem incentivar igrejas a envolver especialistas de fora da Igreja nas investigações.

Vítimas devem receber assistência espiritual e Igreja deve fornecer assistência médica, terapêutica e psicológica.

Investigações devem garantir a confidencialidade dos envolvidos e durar até 90 dias.

Com informações do Jornal O Globo