Disparou: Boi gordo supera R$ 325/@ no físico e mercado futuro entrega ágio de quase R$ 10/@

mercado do boi gordo voltou a ganhar tração nesta semana e rompeu a barreira de R$ 325/@ em importantes praças do país, confirmando um movimento de alta que já vinha sendo desenhado desde o início de janeiro. A valorização ocorre em meio a oferta limitada de animais terminados, escalas de abate curtas nos frigoríficos e demanda externa em ritmo forte, fatores que têm fortalecido o poder de barganha do pecuarista no mercado físico. Ao mesmo tempo, o mercado futuro na B3 passou a operar com ágio relevante, sinalizando expectativas ainda mais otimistas para os preços nos próximos meses.

No mercado físico, as negociações avançaram ao longo da semana, com São Paulo superando R$ 325/@ – mesmo que de forma pontual, enquanto outras regiões também registraram ganhos expressivos.

Segundo levantamento de mercado, Goiás negocia a arroba acima de R$ 313, Minas Gerais opera na casa de R$ 312, Mato Grosso do Sul gira em torno de R$ 311 e Mato Grosso se aproxima de R$ 303 por arroba, todos valores acima dos registrados na semana anterior. O movimento confirma um cenário de firmeza generalizada, sustentado pela dificuldade dos frigoríficos em alongar suas escalas, hoje posicionadas entre cinco e sete dias úteis na média nacional .

A principal engrenagem dessa alta está do lado da oferta. As boas condições das pastagens permitem que o produtor segure o gado no campo e negocie com mais cautela, evitando vendas forçadas. Com isso, a disponibilidade de boiadas prontas permanece restrita, o que pressiona os frigoríficos a melhorarem suas propostas para garantir matéria-prima. Esse cenário é reforçado pelo fato de que não há relatos relevantes de concessões por parte dos vendedores, mesmo diante de tentativas de compra abaixo das referências de mercado .

Exportações seguem como pilar da sustentação no mercado do boi gordo

Outro ponto central é a demanda internacional. Os embarques de carne bovina brasileira seguem em ritmo elevado, com destaque para China, Estados Unidos e União Europeia, mantendo a indústria exportadora mais ativa nas compras.

Em janeiro, o volume exportado voltou a ganhar força e superou, com folga, o registrado no mesmo período do ano passado, reforçando a percepção de que o mercado externo continuará sendo um importante sustentáculo dos preços ao longo de 2026 .

Consumo interno ainda lento, mas com expectativa de melhora

No mercado doméstico, o consumo de carne bovina segue mais cauteloso neste fim de mês, pressionado por despesas típicas do período, como impostos e gastos escolares. Ainda assim, analistas avaliam que a proximidade do novo pagamento de salários pode destravar parte da demanda nas próximas semanas, ajudando a manter o equilíbrio entre oferta e consumo. Mesmo com proteínas concorrentes mais competitivas, o atacado tem mostrado estabilidade, reduzindo o risco de repasses negativos ao longo da cadeia .

Mercado futuro antecipa novos ganhos e amplia o ágio

Se no físico a arroba já supera R$ 325, na B3 o mercado futuro trabalha com preços ainda mais elevados. Os contratos com vencimento a partir de fevereiro passaram a registrar ágio próximo de R$ 9 a R$ 10/@ em relação ao mercado físico. O contrato março/26, por exemplo, fechou recentemente ao redor de R$ 329/@, refletindo a entrada consistente de posições compradas e um ambiente de otimismo entre os investidores.

Esse movimento é sustentado por três fatores principais: oferta restrita de boi gordo, manutenção das escalas curtas nos frigoríficos e perspectivas positivas para as exportações ao longo do ano, inclusive com projeções de embarques próximos aos volumes recordes de 2025. Além disso, o número de contratos em aberto na B3 aumentou, sinalizando maior confiança do mercado na continuidade do viés altista.

Cenário indica firmeza no curto e médio prazo

Com o boi gordo acima de R$ 325/@ no físico e o mercado futuro precificando valores ainda maiores, o recado é claro: o mercado trabalha com fundamentos sólidos de sustentação. A combinação de oferta enxuta, exportações aquecidas e expectativa de melhora gradual do consumo interno aponta para um ambiente de preços firmes, com espaço para altas pontuais nas próximas semanas — especialmente se as escalas seguirem apertadas e o produtor mantiver postura cautelosa nas negociações.

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