Dívida rural ultrapassa R$ 100 bilhões, afirma FPA, que pressiona Senado por plano de renegociação

O avanço acelerado do endividamento no campo acendeu um alerta em Brasília e colocou a renegociação de dívidas no centro das discussões do agronegócio brasileiro. O passivo dos produtores rurais já ultrapassa a marca de R$ 100 bilhões, segundo avaliação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que agora articula uma solução estruturada junto ao Senado e ao governo federal.

A movimentação ganhou força após reunião realizada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde parlamentares definiram uma estratégia para viabilizar um novo modelo de renegociação. O objetivo é destravar o crédito rural e evitar um efeito em cadeia que pode comprometer a próxima safra e a sustentabilidade financeira do setor.

Plano em discussão prevê uso de recursos do pré-sal e fundos constitucionais

O eixo central da proposta gira em torno do Projeto de Lei 5.122/2023, que prevê a criação de uma linha especial de renegociação com recursos de diferentes fontes. Entre elas, estão os fundos constitucionais e o Fundo Social do Pré-Sal, além de eventual participação direta do Tesouro Nacional.

Pelo texto em tramitação, cerca de R$ 30 bilhões poderiam ser destinados à renegociação, com taxas de juros variando entre 3,5% e 7,5% ao ano — patamar considerado mais compatível com a realidade do campo.

Em paralelo, uma proposta alternativa em discussão no governo trabalha com valores maiores, próximos de R$ 80 bilhões, mas com condições menos favoráveis, incluindo juros entre 6% e 12% ao ano e maior exposição a taxas livres de mercado.

Diferença entre modelos pode definir alcance da solução de renegociação da dívida rural

Na avaliação dos parlamentares, o principal ponto de divergência entre os modelos está no custo final da operação, nos prazos e na abrangência regional. Os fundos constitucionais tendem a beneficiar principalmente produtores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mas não seriam suficientes para atender integralmente regiões como Sul e Sudeste, onde o endividamento também preocupa.

Outro fator que pesa contra as soluções anteriores é o histórico recente. A medida provisória editada em 2025, que disponibilizou R$ 12 bilhões para renegociação, teve baixa adesão, justamente por conta das exigências elevadas para enquadramento, o que limitou o acesso de muitos produtores.

Sem crédito, Plano Safra perde efetividade

A preocupação da FPA vai além da renegociação em si. O foco está em restabelecer a capacidade de financiamento do produtor rural. Sem acesso ao crédito, o Plano Safra perde sua função prática, já que muitos produtores ficam impedidos de contratar novos financiamentos.

Nesse contexto, lideranças do setor defendem soluções mais estruturais. Há casos, segundo relatos apresentados na reunião, em que o prazo necessário para equacionar as dívidas pode chegar a 15 ou até 20 anos, o que exigiria a criação de fundos garantidores e regras mais alinhadas à renda da atividade agropecuária.

Negociação com o governo será decisiva

As propostas discutidas no Senado foram levadas ao Ministério da Fazenda, em busca de apoio para a inclusão do Fundo Social como base da solução para a dívida rural. A adesão do governo é considerada decisiva para ampliar o alcance da renegociação e evitar que parte dos produtores continue fora do crédito oficial.

Caso não haja um mecanismo robusto, o risco é de que o problema se prolongue, afetando diretamente a produção, os investimentos e a competitividade do agronegócio brasileiro. O cenário atual reforça um ponto central: a renegociação deixou de ser uma alternativa e passou a ser uma necessidade estrutural para garantir a continuidade da produção no campo.

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