Com economia, crédito e sustentabilidade em jogo, o setor cobra propostas concretas dos candidatos.
O ano de 2026 marcará uma das fases eleitorais mais intensas da história recente do Brasil, com a escolha do presidente da República, governadores em todos os estados e a renovação parcial do Congresso, incluindo deputados federais, estaduais e senadores. O processo ocorre em um ambiente de forte polarização política, com disputas acirradas entre direita e esquerda, além de embates entre visões conservadoras e progressistas em temas estruturais do país.
Nesse contexto, o agronegócio emerge como um dos eixos centrais do debate eleitoral, dada sua relevância econômica, social e estratégica. O setor é historicamente um dos principais motores da economia brasileira, respondendo por parcela significativa do Produto Interno Bruto, pela geração de empregos e pelo fortalecimento da balança comercial, especialmente por meio das exportações de alimentos e commodities.
Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa reforçam essa importância ao indicar que o Brasil é capaz de alimentar cerca de 800 milhões de pessoas no mundo, o equivalente a aproximadamente 10 por cento da população global. Essa contribuição resulta da produção de grãos, oleaginosas, carnes e outros produtos agropecuários consumidos internamente ou exportados direta e indiretamente.
Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios estruturais relevantes em 2026. O aumento das recuperações judiciais no campo reflete um ambiente de pressão financeira, agravado pela manutenção de juros elevados, que encarecem o crédito rural e limitam investimentos em tecnologia, inovação e expansão produtiva. Somam-se a isso entraves logísticos, gargalos de infraestrutura e debates ambientais que impactam diretamente a competitividade do agro brasileiro.
Em um cenário político polarizado, qualquer candidato que pretenda dialogar com o agronegócio precisará apresentar uma agenda clara e consistente. O chamado candidato ideal deve reconhecer o setor como pilar da economia nacional e da segurança alimentar global, conciliando propostas práticas para o campo.
Entre as prioridades centrais está a política de crédito rural sustentável. O setor demanda linhas de financiamento compatíveis com os ciclos produtivos, juros adequados e estímulo a investimentos em tecnologia, mecanização e práticas sustentáveis. O acesso ao crédito é fundamental para elevar a produtividade.
Outro ponto decisivo é a redução do Custo Brasil, especialmente por meio de melhorias na infraestrutura logística. Rodovias, ferrovias e portos mais eficientes, aliados à desburocratização tributária e fiscal, são essenciais para diminuir custos de escoamento e ampliar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
A valorização da ciência, da inovação e da pesquisa também aparece como bandeira indispensável. Instituições como a Embrapa são responsáveis por décadas de avanços que transformaram o Brasil em potência agropecuária. Investimentos em biotecnologia, agricultura digital e bioinsumos são estratégicos para enfrentar os desafios futuros e manter o país na liderança global.
Além disso, o candidato alinhado ao setor precisa integrar sustentabilidade ao desenvolvimento rural, incentivando práticas de baixo carbono, manejo responsável dos recursos naturais e preservação ambiental. Paralelamente, o fortalecimento da agricultura familiar é essencial para garantir segurança alimentar, inclusão social e dinamização das economias locais.
Por fim, políticas de comércio exterior e acordos internacionais robustos serão determinantes para ampliar mercados, reduzir barreiras tarifárias e fortalecer a imagem do Brasil como fornecedor confiável de alimentos. Em 2026, o agronegócio buscará mais do que promessas: exigirá compromissos concretos de candidatos capazes de construir pontes entre o campo, a cidade, o meio ambiente e a sociedade, consolidando o setor como peça-chave da economia nacional.



