Na manhã desta segunda-feira, 19, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) deu início a uma caminhada em Paracatu, no interior mineiro, com o intuito de percorrer cerca de 240 km até Brasília (DF). Horas depois, o parlamentar divulgou comunicado intitulado “Carta aberta ao povo do Brasil”, em que lista as razões para a realização do ato.
No material, o congressista afirma que a decisão de caminhar do município do noroeste de Minas Gerais até a capital do país “não é um gesto de vaidade”. Ao citar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes passou a cumprir pena na Papudinha desde a última quinta-feira, 15, Nikolas afirma que a passeata é uma forma de marcar posição contra o que classifica como “prisões injustas”.
Bolsonaro não é a única figura da política a ser mencionada na carta. Nikolas também cita Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais da Presidência da República e atualmente detido em Pinhas (PR), e Jorge Eduardo Naime, coronel da Polícia Militar do Distrito Federal. O parlamentar também faz menção a todos os envolvidos nas manifestações de 8 de janeiro de 2023.
“Este ato é uma etapa pela liberdade e pelo tratamento digno aos presos do dia 8 de janeiro, que foram submetidos a violações de direitos humanos e de garantias fundamentais”, afirma Nikolas. “E também ao Jair Bolsonaro, Filipe G. Martins, Coronel Naime e tantos outros que sofrem dos mesmos abusos processuais.”
Na carta, o político do Partido Liberal de Minas Gerais ressalta que a caminhada será “ordeira e pacífica”. “Não tem como objetivo praticar crimes ou gerar desordem”, avisa. “Trata-se apenas do exercício legítimo do direito de ir e vir e do direito de manifestação, garantidos pela Constituição a qualquer cidadão.”

Carta de Nikolas Ferreira
Leia, abaixo, a íntegra do comunicado divulgado por Nikolas Ferreira:
“CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL
Escrevo estas linhas para explicar, com o coração aberto, por que decidi caminhar de Minas Gerais até Brasília. Não é um gesto de vaidade. Não é espetáculo. É um ato de consciência, de amor ao Brasil e de compromisso com a liberdade.
A desumanização dos brasileiros presos após o dia 8, submetidos a processos ilegais, parciais e arbitrários, bem como a perseguição sistemática a opositores políticos, entre eles Jair Bolsonaro, não são fatos isolados. São sintomas de algo muito mais profundo e perigoso: o cansaço moral de uma nação que vê o mal triunfar sem consequências, escândalos sucederem escândalos, o crime organizado avançar sobre o território e as instituições, enquanto o cidadão honesto é esmagado por um Estado inerte para proteger o bem, mas voraz para cobrar impostos.
Esta caminhada nasce, portanto, não apenas como um clamor por justiça a casos concretos, mas como um chamado à consciência nacional, para reavivar no brasileiro a esperança, a coragem de fazer o que é certo e a disposição de enfrentar e derrotar o mal que tenta se normalizar entre nós. O povo brasileiro encontra-se inerte, não apenas pelo medo, como muitos acreditam, mas por um estado de paralisia psicológica construído de forma deliberada e intencional.
Dito isso, este ato é uma etapa pela liberdade e pelo tratamento digno aos presos do dia 8 de janeiro, que foram submetidos a violações de direitos humanos e de garantias fundamentais. E também ao Jair Bolsonaro, Filipe G. Martins, Coronel Naime e tantos outros que sofrem dos mesmos abusos processuais.
Por isso, esta causa passa, necessariamente, pela derrubada do veto à dosimetria das penas no Congresso.
Chegarei a Brasília no dia 25 de janeiro para mostrar, com presença física e pacífica, que ainda há brasileiros atentos, solidários e comprometidos com a justiça, com a dignidade humana e com a liberdade.
E se nada der ‘certo’? Ainda assim, precisamos fazer o que é certo, sem viver apenas da expectativa de que tudo dê certo. Se os presos injustamente do dia 8 e o presidente Jair Bolsonaro se sentirem acolhidos, perceberem o carinho do povo brasileiro, souberem que não estão abandonados e houver um despertar da consciência nacional, então cada quilômetro percorrido já terá valido a pena.
A caminhada será ordeira e pacífica. Não tem como objetivo praticar crimes ou gerar desordem. Trata-se apenas do exercício legítimo do direito de ir e vir e do direito de manifestação, garantidos pela Constituição a qualquer cidadão.
E não, esta caminhada não é uma bala de prata. Não é um gesto para resolver todos os problemas do Brasil, nem pretende substituir instituições, leis ou o dever de cada cidadão. Ela é, antes de tudo, um ato simbólico – e símbolos importam mais do que muitos imaginam.
Que cada brasileiro saiba: a liberdade não se pede de joelhos; defende-se de pé.
Pelo fim das prisões injustas,
Pelo fim da impunidade,
Pelo fim da perseguição política,
Pelo fim do ativismo judicial,
Por liberdade,
Nikolas Ferreira”


