Empreendedor lança chocolate artesanal com farinha de mandioca inspirado no Acre e esgota lote em um dia

De olho no crescimento do mercado de chocolates, mas incomodado com a baixa qualidade de muitos produtos, o acreano Leandro Brasil, 37 anos, decidiu apostar no setor. A ideia, que começou a ser estudada em 2021, levou seis meses para ser estruturada. Em dezembro do mesmo ano, a primeira unidade da Além do Cacau, uma loja multimarca de chocolates especiais, foi inaugurada em Rio Branco (AC).

De acordo com um levantamento realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), em 2023, foram produzidas 805 mil toneladas de chocolate no Brasil, um crescimento de 6% em relação a 2022, quando a produção já havia crescido 8% em relação ao ano anterior.

“Quando parei para analisar e vi que o segmento do chocolate só cresce, percebi que, ao mesmo tempo, os chocolates especiais, de maior qualidade, não acompanham o mesmo ritmo, principalmente em termos de visibilidade. Foi então que fiz uma curadoria e reuni alguns dos melhores chocolates do Brasil para vender em um só lugar”, conta Brasil.

De acordo com o empreendedor, apesar de idealizado em 2021, o negócio foi pensado para atender as demandas de mercado projetadas para 2025. Segundo Brasil, o objetivo é seguir a tendência da busca dos consumidores por produtos cada vez mais saudáveis, artesanais e que contam uma história. Para valorizar isso, os clientes que visitam a Além do Cacau são convidados a conhecer mais sobre o processo de produção e origem de cada uma das 17 marcas comercializadas, todas conhecidas por serem bean-to-bar (do grão à barra).

A ideia do negócio caiu no gosto do público e, neste ano, Brasil inaugurou a segunda unidade da marca, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Juntas, as duas lojas faturam R$ 100 mil por mês, entre a venda de chocolates e de cafés e chás para consumo no local.

Com o interesse contínuo da freguesia nos chocolates especiais, o empreendedor decidiu lançar o primeiro item de marca própria, o chocolate O Acre Existe, em homenagem ao seu estado natal. O produto foi uma ideia da esposa de Brasil, que, pensando na expressão “come com farinha” – usada no Acre para se referir a algo que se gosta muito – sugeriu a criação de um chocolate com farinha de mandioca.

Em parceria com uma chocolate maker de São Paulo, que já tinha seus produtos artesanais comercializados na Além do Cacau, o empreendedor decidiu apostar no uso da farinha Cruzeiro do Sul, típica do Acre. Com uma torra específica para chocolate, ela é usada para dar crocância ao produto.

O chocolate, produzido em São Paulo com a farinha do Acre e o cacau da Bahia, foi sucesso imediato entre os consumidores. Lançado em março deste ano, o primeiro lote, com 300 unidades, esgotou-se no primeiro dia de vendas. Atualmente, a marca comercializa cerca de 1,2 mil barras ao mês nas duas unidades do negócio.

“Hoje, nossa estratégia é não ter esse chocolate disponível na loja o tempo todo para poder criar uma expectativa. É interessante porque, quando temos um novo lote, as pessoas começam a encomendar antes, o que gera um valor de um produto único. Por carregar muita história e ter um gosto singular, mesmo com o preço mais alto que o padrão dos chocolates, ele é um sucesso absoluto”, comenta Brasil. Atualmente, uma barra de 40 gramas de O Acre Existe custa R$ 20,45.

Após o resultado positivo da estreia da marca, o empreendedor já está desenvolvendo uma nova linha de chocolates Além do Cacau. Com lançamento previsto até setembro deste ano, a linha Nossa Amazônia vai oferecer sabores típicos do Norte, como cupuaçu e castanha do Acre.

Além das vendas nas unidades próprias, segundo Brasil, os novos produtos já estão em processo de negociação para serem exportados para países da Europa e Estados Unidos. Mas o processo de expansão não para nos lançamentos. Pensada desde o início para entrar no mercado do franchising, a Além do Cacau já está sendo formatada para ser lançada como franquia no próximo ano. A expectativa é chegar a ao menos cinco novas operações até o final de 2025.

“Um dos maiores desafios da formatação está sendo garantir a mesma qualidade de atendimento, porque não vendemos apenas o chocolate, mas toda a história por trás dele. Nosso objetivo é sempre oferecer experiências sensoriais e emocionais que, de fato, vão além do cacau”, aponta Brasil.

Para o fundador do negócio, o principal propósito da marca é, além de deliciar os consumidores, poder mudar a vida de todos os envolvidos do processo de produção dos chocolates especiais. Para isso, a geração de valor ao produtor do cacau e ao chocolate maker, a estimulação à preservação do meio ambiente, a divulgação das particularidades regionais de cada barra de chocolate e o pagamento de um preço justo para cada fornecedor estão entre os pilares do negócio.

Com um tíquete médio de R$ 68 e vendas apenas nas lojas físicas, a expectativa da empresa com os novos produtos e operações é alcançar um crescimento de 200% no faturamento até o final do próximo ano.

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