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Empresários de fábrica de preservativos denunciam governo Gladson por calote

A Indústria de Produtos de Látex da Amazônia S.A., criada a partir de uma parceria público-privada para salvar a falida Natex, em Xapuri, está à beira do colapso. O empresário Emerson Feitoza da Silva, administrador de empresa CLPO, e atual presidente da indústria, reclama do descaso do atual governo no tocante aos repasses feitos pelo Ministério da Saúde e retidos pela Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac) nos últimos meses.

Segundo Feitoza, o dinheiro corresponde a 80% da produção de 10,3 milhões de preservativos entregues ao Ministério da Saúde (MS). A produção está atrasada, já que o acordo firmado entre o governo anterior e o MS havia sido assinado em setembro, ainda com a Natex em inatividade. Dos cinco lotes previstos no documento, apenas dois puderam ser entregues.

 A nova indústria gera cem empregos em Xapuri/Cedida

Com o fechamento da fábrica de caminhas de Xapuri, a equipe do governo petista decidiu estabelecer uma parceria público-privada, capaz não só de retomar a produção, como também cumprir o acordo com o Ministério da Saúde.

Foi assim que a CLPO e a Agência de Negócios do Acre (Anac), órgão ao qual foi transferido todo o patrimônio da Natex, se juntaram para a criação da Indústria de Produtos de Látex da Amazônia S.A. O decreto que deu origem a essa parceria foi assinado por Tião Viana no fim do ano passado.

Indústria pode fechar a qualquer momento/Cedida

Criada para administrar, gerenciar e retomar o processo de produção interrompido pela Natex, o novo empreendimento se deparou com o primeiro percalço, decorrente da decisão, aprovada em 2018 pela Assembleia Legislativa do Acre, de repassar os veículos, maquinário e a área de terra da antiga da Natex – até então gerida pela Funtac – para a Anac.

Como o contrato com o Ministério da Saúde previa que fosse a Funtac, e não a Anac, quem deveria fornecer os preservativos, o grupo de empresários que assumiu as atividades em Xapuri precisou firmar com a Funtac um termo de terceirização da produção. Tudo dentro da legalidade e amparado pelas cláusulas contratuais firmadas com o MS, segundo Emerson Feitosa.

“Só que hoje nós, empresários, nos sentimentos totalmente prejudicados. Desde dezembro estamos trabalhando, já injetamos na fábrica mais de 1 milhão e meio de reais, abrimos cem postos de trabalho e já entregamos mais de 10 milhões e 300 mil preservativos ao Ministério da Saúde. Acontece que a Funtac já recebeu 80% do valor correspondente à essa produção, e até agora não nos repassou nenhum centavo”, afirma o empresário.

Com isso, as despesas resultantes da manutenção da produção se acumulam, em forma de salários, pagamentos a fornecedores, energia elétrica e impostos, entre outros.

Cem famílias dependem da renda gerada pelo empreendimento/Cedida

Feitosa diz ter se reunido com o governador Gladson Cameli (Progressistas) para tratar sobre os pagamentos feitos pelo MS à Funtac, que deveriam ter sido repassados à nova Indústria. Durante o encontro, Gladson prometeu resolver a questão em 24 horas. No entanto, 13 dias depois desse encontro (completados nesta segunda-feira, 15), a promessa ainda não foi cumprida.

Na terça passada, dia 9, em nova reunião entre os representantes da CLPO e o chefe do Gabinete Civil do governo, Ribamar Trindade, da qual também participaram membros da equipe da Funtac, ficou estabelecida uma nova data para o pagamento. O prazo de uma semana estipulado pelos representantes de Gladson Cameli vencerá amanhã, dia 16. Mas os empresários dizem não vislumbrar no horizonte governamental sinal algum de que a questão será equacionada.

“O que percebo é que não há, por parte de alguns membros do governo, nenhum interesse em revolver esse assunto. Não sei se porque não querem ou se há outros interesses pessoais ou políticos por trás dessa história”, diz Emerson Feitoza.

Ele acrescenta que os funcionários da Indústria de Produtos de Látex da Amazônia S.A., são os mesmos que já haviam passado por três processos de demissão da Natex e amargaram recorrentes atrasos salariais, além de se verem vítimas dos calotes relativos ao pagamento das rescisões trabalhistas.

“Diferente da Peixes da Amazônia, um empreendimento também iniciado na gestão anterior, e cujos empreendedores estão botando o pé na porta para que o governador faça repasses mensais de 200 mil reais à empresa, nós não queremos nenhum real (do Poder Público)”, assegura o administrador da CLPO.

Empresário Emerson Feitosa/Cedida

O que os investidores esperam é que o governo encontre uma forma legal de fazer com que a Funtac repasse os valores referentes aos preservativos fabricados e entregues ao Ministério da Saúde.

Feitosa ressalta ainda que se não houver uma solução urgente por parte do atual governo, ele terá que demitir os cem funcionários da indústria localizada em Xapuri. Segundo afirma, nos últimos três meses, como resultado dos investimentos feitos na indústria de preservativos, foram injetados na economia de Xapuri mais 360 mil reais. “Parece pouco, mas não para um município pequeno como aquele”, argumenta.

O empresário faz questão de ressaltar que desde que a parceria público-privada passou a vigorar, e a falida Natex ressurgiu dos escombros da inoperância estatal, os funcionários têm recebido em dia, e trabalham com satisfação.

“Eles estão confiantes em um futuro melhor”, assegura.

Mas o destino de todos eles depende, agora, da disposição do governador Gladson Cameli em honrar compromissos e assegurar a renda de uma centena de famílias que dependem da nova indústria para sobreviver.