UMA BOLADA!

Enfermeira da Sesacre recebe em janeiro salário de R$ 34,5 mil; governo tenta justificar

A enfermeira Maria Inês Araújo da Silva recebeu em janeiro deste ano salário bruto no valor de R$ 34.592,83 – pouco menor que o do governador Gladson Cameli, de R$ 35,4 mil. Ela está lotada na Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), e até o mês passado, segundo informação do Portal da Transparência, exercia cargo de chefe de departamento.

Consultada sobre o assunto, a porta-voz do governo, Mirla Miranda, enviou a seguinte nota à reportagem:

“A diretora recebeu retroativo referente a um mês e meio, pois quando assumiu o cargo, a folha já havia fechado. Reforçando que no mês anterior de sua nomeação, não recebeu seus proventos (o grifo é nosso). O valor líquido corresponde a R$ 26.250,73”.

Salários pagos à enfermeira em janeiro deste ano (acima) e em dezembro de 2019

Ocorre, porém, que o próprio Portal da Transparência mostra que em dezembro do ano passado (ao contrário do que alega o governo), Maria Inês recebeu seu salário relativo ao exercício do cargo de chefe de departamento, no total bruto de R$ 9.749,00.

A porta-voz voltou a afirmar que a enfermeira “era chefe de departamento” e que “Passou a ser diretora dia 06 de novembro de 2019”, dando margem à interpretação de que ela teria acumulado os proventos de chefe de departamento e diretora, uma vez que em janeiro recebeu retroativo os valores referentes ao segundo cargo, sendo que já havia embolsado, em dezembro, o salário relativo ao primeiro.  

Atualização às 14h53:

A porta-voz do governo encaminhou a seguinte nota ao site:

A referida servidora não recebeu a mais ou cumulativamente pelo cargo anterior exercido, recebeu, tão somente a diferença da remuneração pelo cargo do qual assumiu desde o dia 06.11, observe -se que a soma das diferenças a partir do dia 06.11, perfaz o somatório devido a servidora. Cabe ressaltar que não houve pagamento em duplicidade ou a maior, tão somente o devido pelo periodo trabalhado. A informação noticiada é inverídica, e busca tão somente difamar ou denegrir a imagem da servidora em questão, e deverá ser objeto de retratação, ante ao dano causado a imagem da mesma.”