Entre tradição e inovação, sucessão familiar muda o perfil do agro brasileiro

Entrada de jovens e mulheres na gestão rural ganha força, mas exige planejamento e profissionalização.

Será que o agro está pronto para a nova geração? Quem vai assumir as fazendas nos próximos anos? A sucessão familiar no campo deixou de ser apenas uma preocupação distante e passou a ocupar o centro das decisões dentro do agronegócio brasileiro.

O processo já está em andamento, mas ainda enfrenta entraves. A transição entre gerações exige planejamento, preparo técnico e, principalmente, diálogo dentro das famílias. Em Goiás, produtores e representantes do setor reconhecem que a sucessão avança, mas ainda convive com resistências e desafios.

A entrada da chamada terceira geração, formada por jovens e mulheres, começa a mudar o perfil da gestão rural. O modelo tradicional, centrado na figura do patriarca, dá espaço a decisões mais compartilhadas e a uma visão mais profissional das propriedades.

O produtor Sandro Gomes Dias, que atua com soja e milho em Acreúna, é um exemplo desse movimento. Ele já divide as responsabilidades com os filhos. Segundo ele, o trabalho no campo hoje é coletivo e exige participação de toda a família.

Para muitos produtores, a sucessão deixou de ser opção e passou a ser necessidade. Daniel Nunes Costa, pecuarista, já prepara o filho para dar continuidade à atividade. Mesmo jovem, o herdeiro participa da rotina da fazenda e demonstra interesse em seguir no setor.

Apesar disso, a nova geração ainda apresenta comportamentos diferentes. A busca por crédito rural, por exemplo, ainda é considerada baixa entre os mais jovens, que tendem a priorizar soluções digitais e novas formas de relacionamento com o sistema financeiro.

O cooperativismo surge como ponte entre gerações. Instituições como o Sicoob têm observado a presença cada vez maior de pais e filhos juntos nas negociações, o que fortalece a transição e amplia o conhecimento prático dos sucessores.

Outro ponto de destaque é o avanço da participação feminina. Programas de capacitação têm ampliado o espaço das mulheres na gestão rural, preparando novas lideranças e inserindo esse público em decisões estratégicas dentro das propriedades.

Cursos voltados à sucessão familiar já registram alta procura, com foco em temas como gestão, inovação e planejamento. A profissionalização do campo se torna condição básica para garantir continuidade.

Ainda assim, o principal desafio segue dentro das porteiras. O conflito entre gerações aparece como um dos principais entraves, especialmente quando o jovem tenta implementar mudanças e encontra resistência dos mais experientes.

Para especialistas, o equilíbrio é o caminho. A experiência de quem construiu o negócio precisa caminhar junto com a inovação trazida pelos sucessores. Sem isso, a sucessão corre o risco de travar ou até comprometer a continuidade da atividade.

Casos como o de famílias que já dividiram a gestão mostram que a transição pode trazer resultados positivos. Aumento de produtividade, diversificação de negócios e uso de tecnologia são alguns dos efeitos dessa nova dinâmica.

No fim das contas, a sucessão no campo não é mais uma questão de futuro. É um processo em curso, que vai definir quem manda, como produz e para onde vai o agronegócio brasileiro nas próximas décadas.

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