Os Estados Unidos e o Irã podem selar um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio ainda neste domingo (24). A sinalização foi dada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, enquanto Teerã, embora confirme as tratativas, insiste que o pacto inicial não limitará seu programa nuclear de imediato.
Washington e Teerã mantêm um cessar-fogo desde o dia 8 de abril. Durante esse período, mediadores internacionais tentam resolver o impasse que mantém os portos iranianos bloqueados pelos EUA e a navegação no Golfo Pérsico restrita pelo Irã.
Em visita à Índia neste domingo, Rubio demonstrou otimismo: “Acredito na possibilidade de que, nas próximas horas, o mundo receba boas notícias”. A declaração ocorre após o presidente Donald Trump afirmar em suas redes sociais que o acordo “foi amplamente negociado” e está sujeito à finalização entre os EUA, a República Islâmica e nações parceiras.
Segundo Rubio, o entendimento daria início a um processo para garantir “um mundo que não precise mais temer uma arma nuclear iraniana”. No entanto, o desmantelamento do programa atômico continua sendo um ponto de fricção. De acordo com fontes do governo israelense, Trump teria garantido ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que não assinará um texto final sem a remoção de todo o urânio enriquecido do território iraniano.
Reabertura do Estreito de Ormuz
Um dos pontos centrais do acordo é a reabertura do Estreito de Ormuz, via por onde escoa um quinto das exportações mundiais de petróleo. O fim do bloqueio iraniano é visto com entusiasmo por líderes europeus. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, celebraram o progresso e prometeram cooperação para garantir a estabilidade dos preços de energia.
Autoridades iranianas confirmaram a existência de uma minuta, mas pontuaram que as discussões sobre o programa nuclear seriam adiadas por 60 dias após a assinatura da paz. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reiterou que o país não busca armas nucleares, mas não confirmou se tal promessa constará formalmente no documento.
Termos da negociação
Segundo a agência de notícias iraniana Fars, a proposta prevê:
- Descongelamento de fundos: Washington liberaria ativos iranianos retidos no exterior por sanções;
- Fim do bloqueio naval: Navios voltariam a circular livremente entre portos iranianos;
- Controle de Ormuz: A passagem pelo estreito retornaria aos níveis pré-guerra sob supervisão de Teerã;
- Suspensão de sanções: O Irã voltaria a vender petróleo, gás e petroquímicos temporariamente durante o período de negociação;
Apesar do avanço, o cenário é de cautela. O acadêmico Vali Nasr alertou que termos “generosos demais” podem gerar desconfiança em Teerã sobre uma possível distração antes de um novo ataque americano.
Articulação regional
No sábado (23), Trump discutiu os termos com líderes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Egito, Jordânia e Bahrein, além de representantes da Turquia e do Paquistão. O governo paquistanês, que mediou conversas presenciais em abril, espera sediar uma nova rodada de diálogos em breve.
Contudo, o clima de prontidão militar persiste. Em Teerã, Ali Abdollahi, chefe do comando militar central, adotou um tom desafiador na Grande Mesquita de Mosalla: “Estamos em pé de guerra e nossas forças armadas estão totalmente preparadas para enfrentar qualquer inimigo”.


