Coluna Calibre .38

Ex-motorista de Gladson Cameli no Senado recebeu em fevereiro 32 mil reais em salários do governo

No rumo da lua

Tem gente que nasceu com aquilo virado pra lua. É o que diz a máxima popular sobre quem, sem quase nenhum esforço, consegue dar uma grande guinada na vida. Talvez o maior exemplo desse tipo – tão raro quanto afortunado – de gente, nesta era pós-PT, venha a ser o Sr. Antonio Luciano de Oliveira.

Ponto de virada

Natural do município de Cruzeiro do Sul, onde certamente conheceu o atual governador Gladson Cameli, Antonio viveu, até o ano passado, como um humilde motorista. Lotado no gabinete do então senador, em Brasília, ele recebia, até o dia 17 de outubro, salário de R$ 1.712,38.

O destino lhe sorri

Ainda que de forma tímida e insinuante, no final do ano passado a sorte começou a sorrir para Antonio. Dez dias depois das eleições para o governo do estado, da qual Gladson saiu vencedor no primeiro turno, o assessor e amigo recebeu a primeira promoção. Até ali ocupante do cargo de “Ajudante Parlamentar Intermediário”, de sigla AP-02, e vencimentos de R$ 1.712, ele foi guindado ao posto de motorista, com salário de R$ 2.585,06 – e sigla AP-04. Mas era só o começo de sua guinada pessoal.

Enfim, a fortuna!

O Portal da Transparência do governo do Acre, ainda que continue a ser muito pouco transparente – conforme o foi ao longo dos últimos 20 anos de governos do PT –, revela que Antonio Luciano de Oliveira embolsou, só no mês de fevereiro deste ano, R$ 32.460,00.

Dois meses em um

Questionada pela coluna, a porta-voz do governo, jornalista Mirla Miranda, respondeu minutos depois que o salário de Antonio de Oliveira é, na verdade, de R$ 16.230. E que metade do montante dos 32,4 mil reais resulta do valor retroativo ao mês de janeiro deste ano.

Curioso por natureza

Ainda assim, levado pela curiosidade, fiz os cálculos para saber quanto tempo o sortudo, caso ainda ganhasse os mesmos 1,712 reais mensais no Senado, levaria para chegar ao total embolsado em 60 dias. E o resultado foi que ele teria de dirigir por milhares e milhares de quilômetros durante 19 meses.

Trabalho voluntário

A propósito, muita gente que ingressou na administração pública estadual nos primeiros dias do ano o fez de forma voluntária, informados de que não seriam remunerados por conta do buraco nas contas públicas deixado pelo ‘coveiro’ Tião Viana – que sepultou não apenas o estado, como também o mandato do irmão senador, a possibilidade de vitória de Marcus Alexandre e qualquer chance de reeleição dos três deputados federais do PT.

A vida como ela é

Entre os que acreditaram estar plantando no presente para colher no futuro próximo, houve quem preferiu abandonar o barco, e também aqueles, cujo sonho de ver o nome num decreto de nomeação, acabou frustrado pelo regresso dos antigos adversários, já tão habituados à sombra do poder.

Condutor do futuro

De volta a Antonio, o portal da ‘transparência’ não revela onde ele está lotado, e por isso tive de perguntar à minha colega Mirla Miranda. Em resposta, ouvi que o “Gastão acreano” está à frente da Secretária Estadual de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict) em Cruzeiro do Sul – o que significa dizer que se antes ele dirigia os carros de Cameli, agora conduz projetos bem mais complexos.

Meritocracia que nada!

Em seu perfil na rede social Facebook, Antonio Luciano de Oliveira diz ter estudado na Universidade Federal do Acre (Ufac), sem, no entanto, mencionar o curso que teria frequentado por lá.

No fio do bigode

Indagada sobre o currículo do sortudo, a porta-voz não soube informar, frisando, porém, que o novo diretor da Seict no Juruá vem a ser uma pessoa da mais estrita confiança do governador Cameli.

Potocas

Gladson, que por sinal começou seu mandato alardeando que as nomeações para a nova gestão seriam, necessariamente, feitas com base em critérios técnicos, nos prometeu ainda despetizar o governo. E continua a bravatear o fim da sem-vergonhice a que deram o nome de pensões vitalícias de ex-governador.

Quem, afinal, está no controle?

Como se pode ver, nada foi cumprido, e o governo, ao que parece, segue à deriva. Não se sabe ao certo por culpa de quem, uma vez que os eleitores, em sua maioria, já não acreditam – conforme revelou recente pesquisa de opinião feita pelo instituto Data Control –, que seja mesmo Gladson o timoneiro deste batelão que já começa a fazer água.

Revés

A derrota sofrida nesta terça-feira (16), na Assembleia Legislativa, por ocasião da apresentação do requerimento de instauração da CPI da conta de luz, é outro indício de que o atual governo não tem capacidade de liderar nem mesmo os seus aliados políticos.

Judas

Se ao Sr. Cameli falta pulso para comandar o governo, sobeja nos que o elegeram a indignação dos humilhados. Afinal, nada pode ser mais deprimente do que receber as 30 moedas da traição daquele em quem ousamos investir as nossas parcas esperanças.