Exportações do Acre têm nos portos brasileiros a principal rota para o mercado internacional

Embora faça fronteira com o Peru e a Bolívia e tenha a BR-317 como principal corredor internacional, o Acre continua utilizando majoritariamente os portos brasileiros para escoar sua produção ao mercado externo. Dados do Boletim do Comércio Exterior de maio de 2026, divulgado pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), mostram que 70,6% das exportações acreanas seguiram por via marítima, consolidando o Porto de Manaus como a principal porta de saída das mercadorias produzidas no estado.

Segundo o levantamento, as exportações acreanas movimentaram US$ 13,5 milhões em maio, dos quais US$ 9,53 milhões foram embarcados por rotas marítimas. Desse total, 53,4% passaram pelo Porto de Manaus, no Amazonas, enquanto o Porto de Santos, em São Paulo, respondeu por outros 15% dos embarques realizados no período.

A predominância do modal marítimo está diretamente ligada aos principais produtos exportados pelo Acre. Soja, carne bovina e castanha, que lideram a pauta exportadora estadual, são transportados até os portos brasileiros antes de seguirem para diversos mercados internacionais, aproveitando a infraestrutura logística disponível para grandes volumes de carga.

Apesar da liderança do transporte marítimo, o modal rodoviário segue desempenhando papel estratégico no comércio exterior acreano. Em maio, 29,4% das exportações deixaram o estado por via terrestre, movimentando US$ 3,96 milhões. A principal rota foi a Unidade da Receita Federal de Assis Brasil, responsável por 19,5% das exportações do mês, utilizada principalmente para o envio de mercadorias ao Peru.

No acumulado entre janeiro e maio de 2026, 61,5% de todas as exportações do Acre utilizaram portos brasileiros, somando US$ 33,32 milhões. Nesse período, o Porto de Manaus concentrou sozinho 32% das exportações estaduais, impulsionado principalmente pelos embarques de soja e madeira. Já o Porto de Santos respondeu por 25,6% das vendas internacionais, com destaque para a carne bovina.

Outros terminais portuários também participaram da logística das exportações acreanas ao longo do ano. Os portos de Paranaguá, no Paraná, e São Francisco do Sul, em Santa Catarina, foram utilizados para o embarque de carne bovina, matérias-primas de origem animal e bovinos vivos, ampliando as alternativas logísticas para os exportadores do estado.

No transporte terrestre, as exportações somaram US$ 20,82 milhões entre janeiro e maio, equivalentes a 38,5% do total comercializado com o exterior. A URF de Assis Brasil concentrou 31,1% das exportações estaduais no período, principalmente com embarques de castanha e carne suína destinados ao mercado peruano.

O boletim também aponta que o comércio exterior acreano segue em expansão. As exportações cresceram 15,2% em maio na comparação com abril, enquanto, no acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o estado exportou US$ 54,15 milhões, avanço de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado mantém saldo positivo na balança comercial acreana, impulsionado principalmente pelo desempenho do agronegócio e do extrativismo.

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