Fevereiro e as incertezas quanto aos rumos dos mercados

Fevereiro começa com mais dúvidas quanto à manutenção do movimento favorável que vem marcando o mercado brasileiro desde o ano passado, com recordes sucessivos da Bolsa e queda, além da prevista, para o dólar. Não só isso. Também houve uma esfriada no embalo forte do ouro e da prata.

Na sexta-feira (30) tiveram quedas acentuadas. O ouro a vista caiu 10%, a prata, 16%. Já na abertura da semana e do mês, esses ativos ensaiam uma retomada da tendência positiva, até o Ibovespa no Brasil.

A possível mudança de sinal veio com a indicação de Kevin Warsh para o comando do Federal Reserve. Mesmo com os temores de uma possível pressão de Trump por mais cortes, sendo que ele mesmo chegou a dizer, no ano passado, que não cortar os juros seria covardia, o histórico de Warsh minimiza um pouco o receio de decisões sem embasamento técnico.

Se o Federal Reserve preservar a credibilidade pode segurar um pouco o fluxo de investimentos para outros mercados, na busca por maior proteção, além da rentabilidade. Essa possibilidade provocou um freio de arrumação nos demais mercados no fechamento de janeiro. Ganhos embolsados, é hora de reavaliação de cenário.

Nesse aspecto da busca por proteção também pesam as questões geopolíticas: na semana passada, a preocupação com a escalada das ameaças entre Estados Unidos e Irã; nesta, as falas sobre possíveis negociações. A volatilidade dos ativos também vem refletindo essa mudança de tom. E pegou até o petróleo, que caiu antes por eventuais problemas de oferta, mas nesta segunda-feira teve queda acentuada com as conversas mais diplomáticas entre os dois países.

Por enquanto, a maior parte do mercado conta com a continuidade da tendência de alta do ouro, da prata, da bolsa, amparada pelo fluxo maior de recursos, que pode ajudar a segurar o dólar em patamar mais baixo. Afinal os Estados Unidos, sob Trump, seguem sendo um foco de muitas incertezas. O país enfrenta um segundo shutdown, as tarifas ainda continuam sendo usadas como instrumento de pressão, há dúvidas quanto ao ritmo de atividade da economia americana e possíveis reflexos sobre a inflação e o emprego.

Não dá pra ter segurança com o que vai acontecer, de fato, com a política monetária, após a troca de comando do FED. Tudo isso ainda pode manter um fluxo maior de recursos para outros mercados, dando continuidade à tendência citada. Mas há dúvidas em outro sentido. Será que o ouro e a prata já não subiram demais? Até que ponto vai o potencial de lucratividade das ações brasileiras, em um cenário de juros elevados, com perspectivas de menor expansão da atividade e toda instabilidade que pode vir com a proximidade das eleições? E mesmo as Bolsas de outros países podem ter oscilações mais fortes.

Investidores ainda temem uma bolha no setor de inteligência artificial, com os resultados desencontrados dos balanços das gigantes do setor de tecnologia, cada vez mais pressionadas a entregar lucros maiores. Mesmo bons balanços podem causar frustração e ajustes.

Enfim, o momento é de cautela nas decisões de investimento, sem que isso signifique imobilismo. É preciso saber aproveitar oportunidades e tentar antecipar eventuais mudanças desfavoráveis. De certo, no âmbito doméstico, se mantém apenas a perspectiva de juros elevados. Ainda que o Copom tenha sinalizado o início do ciclo de cortes da Selic em março, os cortes devem ser graduais, mantendo a política monetária contracionista e o bom ganho, real, das aplicações atreladas aos juros. Até porque as projeções de inflação para este ano também estão em queda,, já caíram abaixo dos 4%.

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