O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições deste ano, assinou um pedido de impeachment contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O texto, que conta com o apoio dos senadores Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF), foi protocolado no Senado ainda em janeiro.
O movimento ocorre no rastro do escândalo do Banco Master, que ganhou novo capítulo nesta semana: Toffoli acabou afastado da relatoria do processo, depois de a Polícia Federal (PF) identificar o nome do ministro em dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco. Depois da saída de Toffoli, o caso foi redistribuído e ficou com o ministro André Mendonça.
A Constituição prevê que cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, tipificados na Lei 1.079/1950. Na prática, o pedido é apresentado ao Senado e passa por etapas internas previstas no regimento e na legislação; se avançar até o julgamento, a condenação exige dois terços dos votos. Hoje, quem preside o Senado é Davi Alcolumbre (União-AP), eleito para mandato até 2027.
Entenda o caso Master
O escândalo tem origem na expansão agressiva do banco pós-2018, quando carteiras de crédito passaram de R$ 1,4 bilhão para mais de R$ 40 bilhões em poucos anos com produtos financeiros que prometiam rendimentos acima do mercado. A estratégia levou a uma crise de liquidez e, segundo investigações da PF e do Banco Central, pode ter envolvido manipulação contábil e criação de ativos sem lastro.
A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 e com fases sucessivas em dezembro e janeiro, tornou-se a principal linha de investigação para apurar gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa em torno da instituição.
O caso transbordou da esfera financeira para a política nacional. Reportagens revelaram que:
- O escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, recebeu cerca de R$ 130 milhões em consultoria do Banco Master, fato que alimentou críticas sobre possíveis conflitos de interesse;
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Vorcaro no Palácio do Planalto em dezembro de 2024 — encontro fora da agenda oficial, que adversários políticos dizem ter fragilizado o governo; e
- Figuras ligadas ao governo, como o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o ex-ministro Guido Mantega, foram apontados por terem contratos ou relacionamentos com o banco antes da crise explodir.
Os números do escândalo
Quando foi liquidado, o Master tinha menos de 1% dos ativos do sistema financeiro brasileiro. Contudo, sua queda provocou um efeito de contágio importante. O Fundo Garantidor de Créditos foi acionado para ressarcir mais de 800 mil investidores, com estimativas de desembolso que podem superar R$ 40 bilhões — o maior valor pago na história do fundo.
O escândalo do Master se tornou um nó político porque reuniu:
- Acusações de fraudes bilionárias;
- Investigações da Polícia Federal;
- Liquidação ordenada pelo Banco Central;
- Pressões sobre o Supremo;
- Manobras no Congresso; e
- Ligação com nomes do Executivo.


