Conselho grátis

Historiadora critica Gladson Cameli e aconselha a quem puder que vá ‘fazer a vida longe do Acre’

Em um texto curto e esclarecedor sobre a atual conjuntura do estado, a professora de história Fátima Almeida disse que não há qualquer interesse no atual governo do progressista Gladson Cameli em tirar o Acre do atraso econômico. Segundo ela, Cameli e sua família não teriam interesse algum em gerar novos empregos para os acreanos.

Na postagem, a professora afirma que o atual governador tem por objetivo apenas beneficiar cada vez mais as classes dominantes, como os ricos fazendeiros e proprietários de terras, enquanto a sociedade amarga as migalhas que lhe caem no prato.

Professora Fátima Almeida/Foto: reprodução

“(…) saímos do império dos Viana de Brasileia, no Vale do Acre, para o império dos Cameli do Vale do Juruá. A fórmula mágica para se manter no poder é a mesma, três mil cargos comissionados e a máquina trabalha para eles, sem gastarem muito esforço.

Por fim, ela aconselha a quem tiver oportunidade, que deixe o Acre o enquanto antes.

Leia a seguir, na íntegra, o que escreveu a professora.

Entendo o governo do Acre criar mais de mil cargos comissionados. O comércio local está meio parado. O que o movimenta é a folha de pagamentos do serviço público. Li num blog que Gladson Cameli é madeireiro. O pai, um dos homens mais ricos do Brasil. A construtora da família participa de consórcios de empreiteiras no Estado do Amazonas, donde a importância do mandato de senador do filho que é governador do Acre mas mantém sua cadeira no Senado via suplente. Não há interesse algum em crescimento econômico, emprego e renda para a sociedade como um todo. Toda a força produtiva do Acre está na exportação de carne bovina e madeira, o que explica o desinteresse do governante com meio ambiente, sabendo-se que proteção ambiental caminha junto com proteção social. Crescimento depende de mercado interno, diversificação da produção e o que temos? Só pecuaristas que enriquecem sozinhos vendendo carne para São Paulo, enquanto a sociedade empobrece consumindo produtos da indústria paulista Sadia Perdigão, Nestlé, etc. e ainda, do Mato Grosso e Rondônia. Sem contar a pressão que a pecuária, junto com a exportação de madeira fazem sobre as florestas. Os salários dos acreanos servem para manter o nível de empregos no Centro Sul e em menor proporção a pouca renda dos pequenos produtores locais de hortifrutigranjeiros. Ou seja, saímos do império dos Viana de Brasileia no Vale do Acre, para o império dos Cameli do Vale do Juruá. A fórmula mágica para se manter no poder é a mesma, três mil cargos comissionados e a máquina trabalha para eles, sem gastarem muito esforço. Não digo que estamos no mato sem cachorro, digo que estamos sem mato e sem cachorro. Quem puder ir embora que vá depressa, para o Sul ou exterior, em especial os mais jovens com chance de fazer a vida bem longe daqui.