O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta sexta-feira (9) que o governo não irá recuar diante da onda de protestos que atinge o país há 13 dias consecutivos. Esta foi a primeira manifestação pública do líder desde o início das mobilizações, que começaram no fim de 2025 e colocam pressão direta sobre o regime iraniano.
As manifestações têm como principal motivação a grave crise econômica enfrentada pela população, agravada por décadas de sanções internacionais impostas ao país desde a Revolução Islâmica de 1979. O aumento do custo de vida, o desemprego e a escassez de produtos básicos impulsionaram os atos em diversas cidades iranianas.

Em seu pronunciamento, Khamenei atribuiu a instabilidade a supostos “sabotadores”, acusando grupos internos de agir em sintonia com interesses estrangeiros. Segundo ele, essas pessoas estariam “agradando o presidente americano e aguardando uma intervenção externa”, narrativa frequentemente utilizada pelo governo iraniano para deslegitimar protestos populares.
Na quinta-feira (8), o Irã ficou praticamente isolado do resto do mundo após um apagão quase total da internet. De acordo com a plataforma NetBlocks, especializada em monitoramento digital, o bloqueio tornou sites e serviços online do país inacessíveis, medida vista como tentativa de conter a mobilização e a circulação de informações.
A repressão aos protestos já deixou ao menos 36 mortos, segundo dados da Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA). Desses, 34 seriam manifestantes e dois agentes de segurança. Diante do cenário, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar uma intervenção caso civis continuem sendo mortos durante a repressão.



