DE TUDO UM POUCO

Legalização das drogas: O que pensa a ciência, a igreja, os juristas… E você?

Para que a gente comece a conversar sobre a legalização ou não das drogas, é preciso que entendamos o que é considerado droga. Segundo a organização mundial de saúde (OMS), droga é qualquer substância que, introduzida no organismo, interfere no seu funcionamento. Consequentemente, tanto é droga a maconha quanto a aspirina e o antibiótico; tanto o álcool quanto a cocaína; tanto o cigarro quanto o LSD; tanto o cafezinho quanto o lança perfume. O que varia é como atua no organismo de cada indivíduo, bem como a finalidade, pois, quando a droga é empregada com finalidade terapêutica, ela passa a se chamar medicamento.

Estamos falando, portanto, sobre a legalização das drogas ilícitas no Brasil. Porque isso, também varia de acordo com o país em que se esteja. A maconha, por exemplo, é uma droga legal (lícita) desde 2013, no “nosso vizinho” Uruguai e desde 2018 no Canadá. Já em Cingapura, se a pessoa for flagrada com mais de 15 gramas da erva (aproximadamente 15 cigarros), é condenada à morte.

Um dos maiores especialistas em segurança pública no Brasil, o antropólogo, escritor e professor Luiz Eduardo Soares, defende como chave importante para combater a violência no país, a legalização das drogas. Para ele, é o esquema financeiro do tráfico que perpetua a violência e recruta os jovens do país para o mundo do crime. E são esses mesmos jovens que acabam nas cadeias e depois passam a integrar as facções criminosas, trazendo mais violência às ruas. Um ciclo vicioso crescente e sem fim.

Matéria exibida no Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, em agosto de 2018, afirmou que no Brasil, uma pessoa é assassinada a cada sete horas. A maioria, provocada pela guerra entre as facções criminosas em disputa pelos pontos de venda de drogas. Até quando essa repressão ineficaz continuará matando os nossos jovens? Sobretudo os mais pobres e moradores das periferias do país. Segundo a ONU, o Brasil lidera o número de pessoas mortas por bala perdida na América Latina e a maior causa dessas mortes é a guerra promovida pelo crime organizado.

Outra coisa que precisa ser esclarecida é a diferença entre a legalização e a descriminalização. Na legalização, o ato se torna legal, eliminando assim todas as sanções, Enquanto na descriminalização, o ato deixa de ser ilícito apenas do ponto de vista penal. Podendo acarretar ao usuário, por exemplo, punições alternativas.

O pastor Marcos Feliciano, deputado federal da bancada evangélica, disse que quem defende a legalização das drogas, tem transtorno mental e merece tratamento de choque. O pastor foi o mesmo que afirmou que, “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam (sic) ao ódio, ao crime, à rejeição”.

O líder maior da igreja católica, Papa Francisco, afirmou na 31° Conferência Internacional Contra o Narcotráfico, que “A droga é um mal e ante o mal não se pode ceder nem ter compromissos”.

O Site Folha Espírita publicou sobre o assunto e afirmou que, sugerir a liberação da maconha é uma heresia e que nós não podemos dar sinal verde ao que destrói a vida das pessoas.

O procurador de justiça e professor, Rômulo de Andrade, acredita que a atual política criminal de drogas, comprova o seu próprio fracasso, com a superpopulação carcerária. Para o procurador discutir somente a descriminalização da maconha no país é muito pouco. Ele defende que o Estado Brasileiro, legalize, regulamente e lucre com o comércio das drogas. De todas as drogas.

Eu acredito fortemente que o problema das drogas é muito mais uma questão de saúde do que de segurança pública. Muito mais de ciência do que de religião. A repressão é muito cara e proporcionalmente ineficaz. O Estado brasileiro gasta muito e gasta mal, no combate ao tráfico. E o número de usuários só faz crescer. Chega a ser estúpido, acreditar que, a política antidrogas surta algum efeito. Nossos jovens estão morrendo cada vez mais cedo. E o que é pior: Muito mais pela repressão policial e guerra entre facções do que pelo consumo.

O que acredito,com a pureza da alma, é que a ignorância e o preconceito matam mais do que qualquer outra coisa no mundo. E que há muitas décadas, o tipo de repressão imposta pelo Estado Brasileiro é altamente mortal e absurdamente ineficaz. Precisamos urgentemente parar de jogar para debaixo do tapete um problema social que mata milhares de brasileiros todos os anos.

Precisamos de políticas públicas eficientes, que direcionem mais atenção ao tratamento dos dependentes químicos do que com repressão e a prisão dos mesmos. Que entendamos de uma vez por todas, que a droga é um problema de saúde e não de polícia. Caso contrário, vamos continuar perdendo nossa gente, para a ignorância, o preconceito ou simplesmente por uma bala perdida vinda dessa guerra insana entre “tiras e bandidos”.

Beijo pra quem for de beijo, abraço para quem for de abraço e até semana que vem.