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Lixo hospitalar ao lado de UTI pode ser causa de morte de gêmeos recém-nascidos em maternidade no Acre

Apenas uma parede de aproximadamente 10 centímetros de espessura, com sinais de infiltração, e uma simples janela de madeira separam todo o lixo – composto de placentas, restos de medicamentos, gazes e seringas usadas e resíduos químicos, entre outros materiais infectantes – da maior Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança e da Maternidade Bárbara Heliodora em Rio Branco, capital do Acre.

Um vídeo obtido com exclusividade pelo site Diário do Acre mostra que o corredor central por onde o material contaminado é transportado até o depósito também é a única passagem de acesso à porta principal da UTI. A passagem é usada por médicos e enfermeiros que precisam ter acesso à sala intensiva, o que também os expõem a bactérias e outros micro-organismos nocivos à saúde.

Acúmulo de detritos tóxicos põe em risco servidores e pacientes/Diário do Acre

Segundo informaram à reportagem do portal, o lixo não é recolhido há mais de três semanas, e os tambores onde ficam armazenados os resíduos hospitalares mais perigosos estão prestes a explodir, dada a fermentação decorrente da exposição ao sol.

Nas imagens a que o Diário do Acre teve acesso é possível observar que as larvas se propagam no ambiente.

Um dos funcionários responsáveis pela limpeza tenta minimizar o odor que invade as salas do hospital com o uso de água e sabão. A tentativa também visa eliminar larvas e micróbios que se proliferam nos tambores e nas sacolas e sacos plásticos do lixo.

Risco de explosão em tambores/Diário do Acre

No último final de semana, a morte de um casal de gêmeos recém-nascidos levantou à suspeita de negligência médica na unidade hospitalar.

Outros casos similares são alvo de ações na justiça, nas quais o Hospital da Criança e a Maternidade Bárbara Heliodora são apontados como culpados pela morte de várias crianças e parturientes, vítimas de infeção.

Outro lado
Procurado para falar sobre o assunto, o novo secretário estadual de Saúde do Acre, Alisson Bestene, informou que não tinha conhecimento da situação.

Alysson Bestene/Internet

No entanto, ao ser informado sobre a denúncia, mandou de imediato recolher todos os resíduos das unidades hospitalares, e determinou ainda a interdição do local. O secretário garantiu ainda que um novo espaço para o armazenamento dos resíduos tóxicos, longe das unidades, será providenciado, até que seja encaminha para a incineração.

“Tivemos um problema de contrato com a empresa que recolhe o lixo, devido ao não pagamento deixado pela gestão passada, mas já resolvemos isso. Somos gratos à imprensa e às pessoas que nos alertam sobre esse tipo de situação. Estamos trabalhando dia e noite para melhorar a saúde em todos os sentidos, e vamos conseguir”, garantiu Alysson.