Lula e Tarcísio rivalizam em disputa sobre ‘paternidade’ de operação contra o crime organizado

As operações deflagradas nesta quinta-feira (28) contra o crime organizado, especialmente a Carbono Oculto, se transformaram em palco de disputa política entre o governo federal e a gestão paulista. Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), buscaram associar suas administrações ao protagonismo da ação. Ambos propagandearam os feitos nas redes sociais e em entrevistas coletivas.

A Carbono Oculto mirou empresas de combustíveis e do mercado financeiro usadas pelo PCC para lavar dinheiro e se infiltrar na economia formal. A investigação, que envolveu 1.400 agentes, cumpriu cerca de 200 mandados em dez Estados, atingindo inclusive a Faria Lima, em São Paulo, onde fundos de investimento e corretoras foram alvos de busca e apreensão. Em paralelo, a Polícia Federal deflagrou outras duas operações, Quasar e Tank, também voltadas ao combate ao crime organizado. No total, as ações reuniram esforços da PF, Receita Federal, polícias estaduais, promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e Ministérios Públicos.

O embate político ficou evidente com duas coletivas de imprensa marcadas para o mesmo horário: em São Paulo, o secretário estadual de Segurança, Guilherme Derrite, dividiu espaço com promotores e representantes da Receita Federal. Em Brasília, os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça), Fernando Haddad (Fazenda) e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reforçaram o papel da União nas ações.

Nas redes sociais, Lula classificou a iniciativa como “a maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado”, destacando a coordenação entre PF, Receita e Ministérios Públicos. Já Tarcísio afirmou que a operação nasceu de um trabalho de inteligência conduzido pelo Gaeco e pelas polícias paulistas, que depois ganhou abrangência nacional. Aliados de Lula acusam o governo paulista de tentar capitalizar indevidamente os resultados, enquanto pessoas próximas a Tarcísio afirmam que o Planalto busca apagar o protagonismo do MP-SP.

Além da disputa política, as operações abriram espaço para debates sobre segurança pública. Lewandowski usou a ocasião para defender a PEC da Segurança, que busca maior integração entre forças estaduais e federais, mas enfrenta resistência de governadores no Congresso. Já no Legislativo, frentes parlamentares ligadas à agropecuária e ao setor de combustíveis pressionam pela votação de projetos que ampliam a fiscalização e as penalidades contra fraudes nesse mercado.

A ofensiva contra o crime organizado também ecoa no cenário eleitoral. Lula pretende disputar a reeleição em 2026, enquanto Tarcísio é cotado como um dos principais nomes da direita para enfrentar o petista, em meio ao vácuo deixado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível até 2030.

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