O Acre está entre os estados mais eficientes do Brasil na produção de mandioca. Como o Estado consegue superar grandes produtores nacionais em produtividade? E como a farinha de Cruzeiro do Sul conseguiu aumentar seu valor no mercado? Em 2024, o Acre registrou a terceira maior produtividade do país, com média de 22,7 toneladas por hectare, desempenho 47% superior à média nacional, de 15,46 toneladas por hectare.
Apesar de produzir 496 mil toneladas, volume bem abaixo dos maiores produtores brasileiros, o Acre se destacou pela capacidade de agregar valor à produção. Um dos principais exemplos é a farinha de Cruzeiro do Sul, que teve valorização de 140% após a obtenção da Indicação Geográfica (IG). O estudo compara os modelos de produção dos principais estados produtores e aponta diferentes estratégias para aumentar produtividade e renda.
O Paraná lidera o ranking de produtividade, com 25,4 toneladas por hectare, além de uma produção de 3,7 milhões de toneladas. O Acre aparece logo entre os estados de maior eficiência, à frente de Mato Grosso do Sul, com 22,2 toneladas por hectare, e Rondônia, com 20,5. Já o Pará, maior produtor nacional, responsável por cerca de 4 milhões de toneladas, apresenta produtividade de 15 toneladas por hectare, próxima da média brasileira.
Segundo os pesquisadores, o caso acreano demonstra que qualidade e diferenciação podem gerar mais renda do que simplesmente aumentar o volume produzido. A Indicação Geográfica da farinha de Cruzeiro do Sul foi construída ao longo de aproximadamente 12 anos, com delimitação da área produtora, organização dos agricultores, adoção de boas práticas e criação de regras para utilização do selo. Entre 2019 e 2020, a Embrapa avaliou 79 amostras da farinha da região. No terceiro ciclo de monitoramento, 70% foram classificadas como Tipo 1, enquanto em avaliações anteriores apenas 13% atingiam esse padrão.
A melhoria da qualidade teve reflexos diretos no preço. Conforme dados da Embrapa, a saca de 50 quilos da farinha passou de aproximadamente R$ 50 para cerca de R$ 120 após a consolidação do trabalho de qualificação da produção. O estudo também aponta que Paraná e Mato Grosso do Sul apostam em outro modelo, baseado na indústria de fécula e amidos modificados, que exige matéria-prima com elevado teor de amido, regularidade no fornecimento e padrões rigorosos. Em 2024, os dois estados responderam por quase 87% da produção brasileira de fécula.
Rondônia também aparece acima da média nacional, impulsionada pelo fortalecimento da assistência técnica, programas de correção de solo, distribuição de insumos e políticas de compras públicas para a agricultura familiar. Já o Pará enfrenta dificuldades para transformar seu grande volume de produção em maior produtividade, com baixa coordenação da cadeia, assistência técnica limitada e pouca diferenciação comercial. Para os autores, os melhores resultados surgem quando os produtores encontram compradores dispostos a remunerar a qualidade e contam com políticas públicas que estimulam tecnologia. No Acre, a Indicação Geográfica ajudou a transformar um produto tradicional em um ativo de maior valor agregado, ampliando o potencial de renda das famílias produtoras.



