Mapa revela onde terras agrícolas podem perder até 60% do valor nas próximas décadas

Enquanto o debate sobre mudanças climáticas costuma girar em torno de eventos extremos e metas de carbono, um outro impacto silencioso começa a ganhar forma: o valor econômico das terras agrícolas pode sofrer uma reviravolta histórica na Europa. Projeções recentes indicam que, nas próximas décadas, vastas áreas do continente enfrentarão uma desvalorização significativa, com quedas que podem chegar a 60% — e, em alguns casos, ultrapassar esse percentual.

As estimativas constam em análise baseada em projeções climáticas de longo prazo até 2100, elaboradas pela Agência Europeia do Ambiente (AEE), que combinam cenários de temperatura, regime de chuvas, crescimento econômico, expansão industrial e dinâmica demográfica. O estudo aponta que cerca de 60% das terras agrícolas europeias podem perder valor até o fim do século.

Mais do que uma simples queda no preço por hectare, trata-se de uma transformação estrutural que pode alterar a produtividade, a competitividade regional e até a segurança alimentar do continente.

Terras agrícolas: Um mapa que antecipa perdas bilionárias

De acordo com o levantamento, a redistribuição de valor não será homogênea. O impacto varia conforme região, tipo de cultura e intensidade das mudanças climáticas projetadas.

No sul da Europa, especialmente na faixa mediterrânea, os efeitos tendem a ser mais severos. O aumento das temperaturas médias, a redução das chuvas e a maior frequência de ondas de calor e secas prolongadas tornam diversas áreas progressivamente menos adequadas para culturas tradicionais.

A Itália aparece como um dos casos mais emblemáticos. As projeções indicam perda acumulada estimada em cerca de 100 bilhões de euros no valor das terras agrícolas, o que corresponde a uma queda próxima de 60% ao longo das próximas décadas . Em partes do sul da Espanha, algumas áreas podem registrar retrações superiores a 80%, um recuo considerado quase sem precedentes em termos históricos .

Regiões hoje reconhecidas mundialmente por vinhos, azeites e frutas de alto valor agregado podem enfrentar redução drástica de competitividade, com impactos diretos sobre renda, emprego e cadeias produtivas locais.

França: um país dividido por faixas de risco

O caso francês ilustra como o impacto será desigual mesmo dentro de um único país. Segundo o detalhamento regional apresentado no estudo, o sudoeste da França (como Nova Aquitânia e parte da Occitânia) pode registrar quedas entre 60% e 80% no valor das terras agrícolas até 2100, impulsionadas por secas mais longas e estresse hídrico .

Na faixa mediterrânea francesa, a projeção também aponta retrações de 60% a 80%, associadas a ondas de calor recorrentes, risco de desertificação e incêndios . Já regiões centrais e do leste devem sofrer perdas entre 40% e 60%, enquanto o extremo norte e partes da Bretanha apresentam impactos mais moderados, variando de 0% a 20% .

Esse cenário indica um redesenho profundo da geografia agrícola francesa, com possível migração de culturas tradicionais para latitudes mais altas.

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