Mercado melhora, com cautela, projeções para 2026

Movimento de queda do dólar, que vem desde o ano passado tem colaborado para expectativas mais favoráveis do mercado quanto à inflação deste ano.

O movimento de queda do dólar, que vem desde o ano passado, além do próprio impacto dos juros sobre a atividade e a demanda, pelo menos nos segmentos que dependem mais do crédito, tem colaborado para expectativas mais favoráveis do mercado quanto à inflação deste ano. Tanto que as previsões do Focus, para o IPCA, estão recuando há sete semanas, já tendo chegado nos 3,91%.

Em princípio, independentemente de pressões pontuais do índice, de os preços de serviços ainda mostrarem alguma resiliência, está ocorrendo a tal convergência das projeções para a meta, que o Banco Central tanto cita, como condição para que possa encaminhar um ciclo de cortes da Selic, a taxa básica de juros. O primeiro corte já foi sinalizado para março. Mas essa mexida nas projeções pode garantir um primeiro corte maior, de 0,5 ponto, não de 0,25, como ainda se espera pelo discurso mais austero do BC, ou um corte maior ao longo desde ano. Um indício veio no próprio Focus. Depois de um longo período de previsão de Selic, para o final de 2026, em 12,25%, a previsão média do mercado caiu para 12,13%. Um número “estranho”, que não vai ocorrer. Porém, mostra que já tem uma parcela dos analistas contando com a possibilidade de uma redução maior da Selic, hoje em 15% ao ano.

Ainda é uma mudança tímida, cautelosa, até porque também está havendo alguma revisão pra cima da previsão para o PIB, para a expansão da economia. Já se percebeu isso na avaliação do IBCBr, a prévia do PIB do final de 2025. Se esperava um recuo de 0,4% do índice em dezembro, veio 0,2%. Bastou para se falar em um possível avanço maior da atividade este ano. Bom lembrar que o mercado tem um histórico de erros nas projeções quanto à expansão da economia. Costuma errar pra menor. O que o governo sempre comemora. Sendo que boa parte do fôlego, que atropela as expectativas, vem de gastos públicos, de programas sociais, de estímulos, que até atrapalham a queda mais rápida da inflação. Só que é uma estratégia evita maior perda de ritmo da economia, ainda que no curto prazo, sem mudanças estruturais maiores, que possam garantir um crescimento sustentável de longo prazo.

E esses estímulos ainda têm implicações negativas sobre as contas públicas.// A economia segue numa corrida de obstáculos, ano após ano, com os chamados vôos de galinha. Aquele avanço mais ou menos, que não convence. Em 2026, ano de eleições, difícil não ter a repetição desse processo. Com as várias esferas de governo e mesmo parlamentares querendo mostrar serviço pra agradar o eleitorado. O necessário ajuste estrutural fica mais pra frente, inclusive em relação às contas públicas. Qualquer mudança só é esperada a partir de 2027.

Voltando à questão dos juros, se uma eventual expansão maior da atividade não atrapalhar a esperada trajetória de queda da inflação é até possível que se tenha um movimento também melhor de corte dos juros. Embora, o Banco Central também esteja atento e considere, na calibragem da Selic, a condição fiscal.

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