A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se reuniu, nesta semana, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. O tema da conversa foi a possibilidade de concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também entrou nas negociações e ligou para integrantes da Suprema Corte.
Conforme adiantou a Jovem Pan, a possibilidade de prisão domiciliar ao capitão da reserva, antes considerada “enterrada”, voltou a ser discutida nos bastidores. Michelle e outros líderes da direita tentam conversar com ministros do Supremo para que intercedam pelo ex-presidente junto a Alexandre de Moraes, relator do processo que encarcerou Bolsonaro. De acordo com senadores de oposição ouvidos pela reportagem, o gesto ajudaria a “selar a paz” entre Legislativo e Judiciário.
Um novo pedido foi protocolado pelos advogados do ex-presidente nesta terça-feira (13) após a queda sofrida pelo ex-presidente dentro de sua cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, no último dia 6. Segundo a equipe médica, ele sofreu um “traumatismo craniano leve”.
A Polícia Federal fez os primeiros socorros e declarou não ter identificado necessidade de encaminhamento hospitalar, motivo do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não ter autorizado de início a ida ao hospital. Na manhã do dia seguinte, no entanto, o ministro atendeu ao pedido da defesa e liberou a ida de Bolsonaro ao hospital para realizar exames. Ele foi liberado algumas horas depois e retornou à PF.
Segundo o pedido da defesa de Bolsonaro, a queda altera o cenário que embasou a última negativa, no dia 1º de janeiro. Os advogados também afirmam que o ex-presidente, segundo laudo fisioterapêutico, “não consegue se firmar sozinho”.
As fortes reações da direita à queda de Bolsonaro, lideradas por Michelle, acenderam um alerta no Judiciário, que voltou a discutir ceder a prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente. O consenso é que um agravamento no quadro de saúde de Bolsonaro sob custódia da PF ajudaria a deteriorar a imagem do STF, do governo federal e da própria Polícia Federal diante de parte da opinião pública, além de validar a narrativa bolsonarista de que o ex-presidente seria vítima de “perseguição” e “tortura”. Os episódios de crises de soluço, tontura e alucinações relatados pelo ex-presidente também preocupam.
O maior obstáculo segue sendo o mesmo que colocou Bolsonaro na cela da PF: o uso de um ferro de solda para tentar romper a tornozeleira eletrônica. A conclusão da perícia é que o ex-presidente utilizou a ferramenta para “aquecimento direcionado para abertura”. Com isso, o risco de fuga poderia ser utilizado como “argumento infalível” para negar a volta de Bolsonaro para casa, segundo fontes do Supremo.
A decisão sobre o regime necessariamente teria que partir de Moraes, considerado algoz de Bolsonaro. O ministro tem histórico de decisões duras contra o ex-presidente e seus aliados. Ele também é o maior alvo de acusações de perseguição, sendo inclusive chamado de “ditador” por aliados do ex-presidente. Chegou a ser alvo da Lei Magnitsky, imposta pelos EUA após insistência de deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo fontes ouvidas pela coluna, é difícil imaginar o ministro tendo “boa vontade” com o capitão da reserva.


