Mito ou Tecnologia? Descubra como é realmente feito o café solúvel

Muitos consumidores ainda olham para o pó fino ou para os pequenos cristais no fundo da xícara com uma ponta de ceticismo. Afinal, aquilo é café de verdade ou uma mistura química? A resposta curta é: é café 100% puro, mas o processo para chegar até ali envolve uma engenharia sofisticada que equilibra termodinâmica e preservação sensorial.

Para entender como é realmente feito o café solúvel, é preciso desmistificar a ideia de que o produto é “artificial”. Na verdade, o Brasil é o líder mundial na exportação deste segmento, movimentando bilhões e utilizando tecnologias que preservam as propriedades naturais do grão de forma surpreendente.

O primeiro passo de como é realmente feito o café solúvel

Diferente do que o senso comum sugere, a fabricação não começa com químicos, mas sim com uma infusão gigante. O processo inicial é idêntico ao que fazemos em casa: os grãos são torrados e moídos. A diferença crucial reside na escala e na precisão.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS), os grãos passam por colunas de extração onde a água quente circula sob pressão. Esse método permite extrair os sólidos solúveis do café (cafeína, açúcares naturais e compostos aromáticos), gerando um extrato altamente concentrado. O grande desafio tecnológico aqui é manter o aroma original, que é extremamente volátil e pode se perder com o calor excessivo.

Spray Drying vs. Freeze Drying: As duas rotas tecnológicas

Existem dois caminhos principais para transformar o líquido em pó ou cristais, e ambos definem a qualidade final do produto que chega à sua mesa.Spray Drying (Secagem por Pulverização): Este é o método mais comum e econômico. O extrato de café é pulverizado no topo de uma torre altíssima através de jatos de ar quente. Ao cair, a água evapora instantaneamente, e o café chega ao chão já em forma de pó fino.Freeze Drying (Liofilização): Este é o padrão ouro de como é realmente feito o café solúvel de alta linha.

O extrato é congelado a temperaturas de até -40°C e depois colocado em uma câmara de vácuo. Através da sublimação, a água passa do estado sólido diretamente para o gasoso, sem derreter. Isso preserva quase 100% dos óleos essenciais e aromas mais delicados do grão.

Mitos e Verdades: É café puro ou tem aditivo?

Um dos maiores obstáculos do setor é o mito de que o solúvel contém “enchimentos” como milho ou cevada. Isso é falso. No Brasil, as normas do Ministério da Agricultura e os selos de pureza garantem que o café solúvel seja composto exclusivamente por café e água (que é removida no final).

  • Nutrientes: O café solúvel mantém os antioxidantes (ácidos clorogênicos) presentes no café coado tradicional.
  • Cafeína: Por ser um extrato concentrado, o café solúvel pode ter, grama por grama, uma densidade de cafeína até superior à do café em pó comum.
  • Sustentabilidade: A indústria é uma das que mais reaproveita resíduos; a borra que sobra da extração industrial é frequentemente utilizada como biomassa para gerar energia nas próprias fábricas.

O Brasil no topo da cadeia global

O agronegócio brasileiro não entrega apenas a commodity bruta. O país investe pesado em tecnologia de processamento. De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o solúvel representa uma fatia estratégica das exportações, permitindo que o país exporte valor agregado, e não apenas o grão verde. Com a ascensão do consumo na Ásia e em países do Leste Europeu, a engenharia por trás de como é realmente feito o café solúvel torna-se um pilar de competitividade nacional.

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