Respeite o ciclista

Motoristas que não respeitam as ciclovias são frequentes em Rio Branco

Com os crescentes problemas no meio ambiente, na saúde, nos preços dos combustíveis e no trânsito intenso, a bicicleta chega como uma solução prática, saudável e barata para meio de transporte. Grandes cidades pelo mundo que adotaram uma política de incentivo ao uso das ciclovias tem colhido bons resultados. Rio Branco, que sempre foi vista como modelo de investimento em vias cicloviárias, agora precisa conscientizar os condutores de automóveis para respeitar o espaço dos ciclistas.

Os benefícios de se trocar os veículos automotores pela bicicleta são muitos, entre eles: desafoga o trânsito reduzindo acidentes fatais e consequentemente diminuindo os índices de poluição ambiental; melhora a qualidade de vida dos adeptos, gerando condicionamento físico e diminuindo o estresse e contribui para a atração do centro urbano.

Em locais onde não há ciclovias, os ciclistas precisam dividir espaço com os carros. Foto/Diário do Acre

Pedalar sempre foi o principal meio de transporte da classe menos privilegiada da população, seja para ir ao trabalho ou levar os filhos para a escola. Recentemente está ocorrendo um grande crescimento no uso das bicicletas como esporte e hobby.

Rio Branco chegou a ser considerada por uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no ano passado como a capital brasileira que mais investe, por habitante, em infraestrutura cicloviária de circulação.

Mas para Valden Rocha, que milita na área de mobilidade urbana há mais de 15 anos, a cidade já foi melhor em termos de ciclovias: “Rio Branco já foi a capital do Brasil com a maior quantidade de ciclovias per capita e lamentavelmente hoje essas ciclovias estão se perdendo, muitas ruas que tinham ciclovias estão ficando sem elas ao serem recuperadas, porque ela (a cidade) está pensando só no carro e não nessas pessoas que utilizam a bicicleta, ou a cadeira de roda ou que caminham, para poder oferecer as condições para o uso do carro. Então a gente tem essa cidade que é chamada de carrocêntrica, voltada para o automóvel, que polui, que mata mais.” – diz o ciclista.

Para Valden Rocha a bicicleta é o meio de transporte mais saudável, que polui menos e transforma a cidade em mais democrática. Todos os dias os ciclistas enfrentam problemas com as ciclovias da cidade ao encontrarem carros estacionados e muitos motociclistas fazendo ultrapassagens pelo corredor destinado somente aos ciclistas. Sobre a falta de conscientização da população, Valden afirma:

“Então, o que acontece aqui em Rio Branco? Há muito tempo atrás você tinha condutores que respeitavam mais, existem hoje pessoas que estacionam nas ciclovias, que não são a maioria, mas lamentavelmente essa conscientização de que os carros podem mais do que a pessoa que utiliza a bicicleta faz com que esses motoristas se sintam mais poderosos e possam estacionar onde quiser. Fazendo com que as pessoas que precisam utilizar as ciclovias venham a dividir a rua com os outros carros.

Dentro do Código Brasileiro de Trânsito (CTB), a pirâmide de respeitabilidade que nós temos é que a prioridade sempre vai ser do pedestre, em seguida a bicicleta. Rio Branco está deixando de ser essa cidade mais agradável e boa parte dos motoristas não tem essa conscientização. O que se percebe também é que a formação desses condutores nas autoescolas são ruins no que diz respeito ao uso da bicicleta. Eu que uso diariamente percebo as finas que tiram em mim ou o carro que acha que ele tem mais privilégios do que eu quando estou numa rua, por exemplo, sendo que na verdade a lei de trânsito estabelece que esse carro independente de ciclovia ou não tem que estar distante um metro e meio de mim.”

Valden Rocha faz uso da bicicleta diariamente e há mais de 15 anos milita na área de mobilidade urbana.