Nikolas Ferreira critica governo Lula por classificar desenhos bíblicos para maiores de 12 anos

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou, nesta terça-feira, 3, a apresentação de um projeto para suspender a portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública que classificou o programa Record Kids Desenhos Bíblicos como não recomendado para menores de 12 anos. O parlamentar criticou a decisão do governo Lula e comparou a classificação da atração religiosa com a dos desfiles do Carnaval de 2026, considerados inadequados para menores de 10 anos.

Em publicação no X, Nikolas questionou os critérios utilizados pelo governo federal para estabelecer uma restrição etária maior aos desenhos bíblicos do que à transmissão do Carnaval, que, segundo ele, apresenta cenas de nudez explícita. “O Governo Lula classificou a transmissão do Carnaval de 2026 como não recomendada para menores de 10 anos. Uma programação que continha nudez explícita”, escreveu o deputado.

O Projeto de Decreto Legislativo nº 1.016/2026 pretende sustar os efeitos da Portaria nº 2.272, publicada no Diário Oficial da União em 29 de outubro. O documento alterou de livre para 12 anos a classificação indicativa do programa da Record, sob a justificativa de que o conteúdo apresenta “atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito”. A mudança impede que a atração mantenha a indicação anterior, que permitia sua exibição em qualquer horário.

A alteração não impede a transmissão dos desenhos nem proíbe que crianças menores de 12 anos assistam à programação. A classificação funciona como uma recomendação a pais e responsáveis.

Nikolas também anunciou um pedido de informações ao Ministério da Justiça para obter os pareceres técnicos que fundamentaram a decisão. O objetivo é comparar os critérios aplicados aos desenhos bíblicos com aqueles utilizados para classificar a transmissão dos desfiles das escolas de samba no Carnaval de 2026.

Na justificativa do PDL, o deputado sustenta que a medida foi desproporcional, atingiu a liberdade religiosa e ultrapassou os limites do poder regulamentar do Executivo. A portaria tem sido alvo de críticas de parlamentares da oposição ao governo Lula. Para que seus efeitos sejam suspensos, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

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