Boi na linha

Nome do ex-governador Tião Viana não consta na folha de pagamento de pensionistas do estado do Acre

A lista dos mais abonados pensionistas do estado do Acre é formada por 11 pessoas, entre as quais os ex-governadores Nabor Júnior, Iolanda Fleming, Flaviano Melo (todos do MDB), Romildo Magalhães (PPR), Jorge Viana e Arnóbio Marques (ambos do PT). O sétimo ex-governador – e 12º que deveria integrar essa relação – é o antecessor de Gladson Cameli (Progressistas), Tião Viana, também do Partido dos Trabalhadores.

Mas o nome do ex-gestor não consta na folha de pagamento de pensionistas do Instituto Previdenciário do Acre, conforme se pode constatar no Portal da Transparência do governo. O curioso é que o último decreto assinado por ele, antes de deixar o cargo no final do ano passado, estabelecia o reajuste dos proventos mensais dos mandatários do estado (com efeito para os antecessores e as viúvas) de R$ 30.471,11 para R$ 35.462,22 por mês.

Onze afortunados: despesas de R$ 5 milhões ao ano/Internet

Trata-se do maior valor concedido aos pensionistas do Acre. Além dos seis ex-governadores, outras cinco viúvas têm direito ao benefício. Juntos, os dois grupos somam despesas mensais de R$ 390 mil. Por ano, a fatura a ser paga pelos contribuintes acreanos é de exatos R$ 5.071.097,46.

A maioria dos pensionistas do Acreprevidência é formada por pessoas que recebem valores equivalentes a R$ 499 e R$ 998. No primeiro caso, o beneficiário teria que juntar a remuneração durante 5 anos e 9 meses para atingir o montante pago a cada 30 dias a um único ex-governador. No segundo caso, esse prazo seria de 2 anos e 9 meses.

Promessa só é dívida para quem costuma pagar

Jorge Viana ‘exumou’ beneficio e Gladson o mantém/Internet

Enterrada no governo de Orleir Cameli, a pensão de ex-governador que o STF (Supremo Tribunal Federal) já julgou inconstitucional foi exumada por iniciativa de Jorge Viana e aprovada, em 1999, pela Assembleia Legislativa do Estado.

Até janeiro deste ano, quando se despediu de um mandato de oito anos no Senado da República, Jorge acumulava o valor da pensão ao salário de parlamentar federal. Embolsava então mais de R$ 63 mil por mês.

Na campanha eleitoral para o governo do Acre, no ano passado, uma das promessas mais propaladas pelo atual governador Gladson Cameli foi a de que, uma vez eleito, o benefício seria extinto. Passados, porém, mais de quatro meses de mandato, ele continua a protelar a decisão.

Flaviano disse que irá à justiça se houver corte da pensão/Internet

Cameli começou por adiar a medida alegando a necessidade de consultar a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) sobre o assunto, o que foi anunciado por ele no começo de fevereiro.

Em março, antes mesmo de chegar ao conhecimento do governador, a informação sobre o parecer dos procuradores vazou à imprensa, recomendando o corte do benefício. Duas semanas depois, Gladson declarou que os ex-governadores seriam instados, por meio de uma notificação, a apresentar suas defesas. Desde então nada mais aconteceu, a indicar que os pagamentos continuarão a ser feitos.

Perdulário no Senado Federal, onde figurou em 2017 como o segundo parlamentar que mais gastou com passagens aéreas e diárias – num total de R$ 93,8 mil –, Gladson, agora, só pensa em economizar.

O ex-secretário de Estado de Planejamento, Raphael Bastos, exonerado dias atrás, deixou o cargo afirmando que os cofres públicos já contabilizam saldo de mais de 2 bilhões de reais.

De gastador no Senado a avarento no governo/Internet

Enquanto isso, o Caged registrou a extinção de mais de 300 empregos formais no Acre nos primeiros três meses deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Cameli venceu as eleições prometendo devolver o Acre aos acreanos. Mas tão logo assumiu o mandato, tratou de restituir os cargos em comissão aos adversários do PT.

E foi com a mesma convicção que convenceu o eleitorado de que cortaria o benefício pago aos ex-governadores, ainda que à revelia da tia Beatriz, viúva de Orleir Cameli. Passados mais de 120 dias, a benesse continua firme no governo de tantos vulneráveis.