Você sabia?

O curioso caso do homem que se casou por oito anos com um cadáver

O luto é um estágio que todo ser humano deve enfrentar ao passar por uma perda significativa em nossas vidas – como a morte de um ente querido – é uma espécie de despedida forçada que somos obrigados a fazer para tentar seguir em frente. Nunca estamos prontos para passar por isso, a psiquiatra suíça Elisabeth Kubler-Ross descreveu o processo de luto em cinco fases: a negação, quando não acreditamos que aquilo possa ser real; a raiva, quando passamos a acreditar mas nos revoltamos por aquilo estar acontecendo; a negociação, quando prometemos mudar algo das nossas vidas em troca daquilo ser um sonho ou algo assim; a depressão, quando percebemos que não há mais nada a ser feito; e por último a aceitação, quando finalmente aceitamos a perda e tentamos superar a dor.

Não há um tempo determinado para cada fase, cada pessoa tem sua forma de lidar com cada uma delas, alguns podem levar meses, já outros podem levar anos. O médico alemão Carl Tanzler, por exemplo, resolveu enfrentar seu luto da forma mais assustadoramente excêntrica que podemos imaginar, ultrapassando o limite entre o sofrimento e a insanidade. Romantismo ou doença? Se perguntavam as pessoas na época, uma obsessão, um caso de polícia, que nos mostra a importância de lutarmos contra o nosso desespero nesse que é um processo natural e inevitável da vida.

Um médico gentil e apaixonado

Carl Tanzler era um médico que atuou durante a Primeira Guerra Mundial, onde foi capturado e se tornou um prisioneiro de guerra. Ao fim dela não foi autorizado a voltar para sua residência na Alemanha e emigrou em 1926 para os Estados Unidos onde acabou trabalhando no Hospital da Marinha em Key West, no estado da Flórida sob o nome de Carl von Cosel.

Carl Tanzler em 1940. Foto/Internet

Em 22 de abril de 1930 uma mulher de 21 anos de origem cubana acompanhada de sua mãe deu entrada no hospital para fazer exames e foi atendida por Carl que imediatamente se apaixonou pela moça, seu nome era Elena Hoyos que do seu exame saiu um diagnóstico que na época era praticamente uma sentença de morte, tuberculose. Apaixonado, Carl prontamente decidiu tratar de Elena com seu conhecimento médico e uma grande variedade de medicamentos. Durante o tratamento a moça era frequentemente presenteada com joias, roupas e declarações de amor, mas não há evidências de que se esse amor chegou a ser correspondido, pois apesar de todo esforço feito pelo médico, Elena morreria por complicações da doença no ano seguinte.

A noiva cadáver

Elena Royos. Foto/Internet

A vida de Elena chegou ao fim, mas a obsessão de Carl só estava começando, com autorização da família o médico pagou por todo o funeral e mandou construir um mausoléu no Cemitério de Key West onde a visitava fielmente quase todas as noites. Desesperado, em abril de 1933 – quase 2 anos após a morte de Elena – Carl decidiu retirar o corpo do túmulo e leva-lo para casa, em avançado estado de decomposição o médico cuidadosamente a reconstruiu criando uma “nova pele” com seda, cera e olhos de vidro, usou também mechas de cabelo – que havia solicitado da mãe de Elena após sua morte – para criar uma peruca. Preencheu o resto do corpo com pano e a vestiu com meias, joias e luvas, usando perfumes, desinfetantes e produtos de embalsamamento para tentar conservar sua ¨noiva¨ em sua cama.

O doentio caso de amor de Carl Tanzler duraria 8 anos até que em 1940, quando o comportamento estranho do médico começou a chamar atenção da vizinhança, pois ele apesar de morar sozinho comprava muitas roupas femininas e também o ouviam conversando com alguém de dentro da casa, os rumores foram parar nos ouvidos de Florinda Hoyos, irmã de Elena, que foi então até a casa do alemão e o confrontou, foi quando descobriu que ele mantinha o corpo de sua irmã em seu domínio, Florinda prontamente acionou a polícia local que ao entrar em sua casa encontraram na cama aquilo que parecia ser uma boneca de cera em tamanho real que após exames confirmaram ser o corpo de Elena Hoyos.

Comparação de Elena em vida e a conservação em cadáver feita por von Cosel. Foto/Internet

Carl von Cosel foi preso e às autoridades contou que Elena o visitava em espírito e pedia para que ele resgatasse seu corpo, a polícia também concluiu que o médico tinha esperanças que – de alguma forma – conseguisse trazer Elena de volta à vida, mas exames psiquiátricos o consideraram mentalmente apto para julgamento, porém, Carl acabou sendo inocentado do crime de violação de sepultura e remoção de cadáver devido o crime já ter prescrito da data em que ocorreu.

Após o caso, autópsias no corpo de Elena Hoyos revelaram que Carl Tanzler também praticava necrofilia, o corpo da jovem foi novamente enterrado em local oculto para que Carl não a descobrisse. Sua obsessão, porém, não parou por aí, o médico mudou-se para uma nova cidade e usou uma máscara mortuária para criar um busto em tamanho real de Elena Hoyos, cobrindo a máscara de metal com cera onde modelou o rosto de sua amada, Carl conviveu com o objeto até o ano de sua morte em 1952.

Perder alguém que amamos é a mais terrível das provações, tudo parece não ter mais sentido, demoramos um tempo para digerir os fatos, o típico ¨cair a ficha¨, ter fé é um ótimo caminho para nos consolar, acreditar que um dia estaremos juntos com quem amamos novamente, com o tempo virá a serenidade e você conseguirá compreender a vida de outro modo e a dor dará lugar a uma saudade calma, com as boas lembranças que jamais se apagarão da memória. Quando o processo de luto começar a apresentar sintomas preocupantes, seja em saúde física ou mental, é necessário que seja procurado um especialista para avaliar a situação.