RETRATO POLÍTICO

O dia em que a Assembleia Legislativa deixou de ser a Casa do Povo

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A Reforma da Previdência Estadual ou “Reforma da Maldade”, como é chamada por muitos, depois de intensa gritaria por parte de alguns e silêncio constrangido por parte de outros, foi finalmente aprovada nesta terça-feira (26) na Assembleia Legislativa por 17 votos favoráveis e seis contrários.

Faltou bom senso

Não sei de quem foi a infeliz ideia de cercar a Assembleia Legislativa com grades para evitar o acesso da população à votação da reforma. Sei, porém, que foi uma gigantesca falta de bom senso.

Absurdo

Mais até do que simplesmente falta de bom senso: proibir a entrada da população na Casa do Povo é um absurdo. E não cabe aí qualquer contra-argumento.

Muita polícia

Desde as primeiras horas do dia, a rua em frente à Aleac foi interditada. O enorme número de policiais no local era de assustar. Que bom seria que fosse assim nos bairros de Rio Branco.

Atitude deplorável

A atitude de disponibilizar um efetivo tão grande de policiais com o único intuído de coibir qualquer tipo de manifestação popular é deplorável.  Uma tremenda bola fora do governo.

Caldo de piaba

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Nicolau Júnior (Progressistas) é muito fraco. Não se pronuncia, se articula pessimamente e dá a impressão de não saber exatamente o que está fazendo na Aleac. Está mais perdido do que cego em tiroteio. Há muito tempo não se via um chefe do Poder Legislativo tão perdido e inoperante.

Nota de três reais

Ouvi de um manifestante a seguinte frase sobre o deputado Roberto Duarte Jr. (MDB): “É tão verdadeiro quanto uma nota de 3 reais”.

Motivo da raiva

O motivo da raiva é porque, segundo o manifestante, o deputado do MDB só sabe mesmo é gritar e fazer pirotecnia. “Não brigou para que nós pudéssemos assistir à votação e ainda votou a favor dessa maldade”.

Vaias para o Tchê

O deputado estadual Luís Tchê tentou conversar com os manifestantes, mas foi só ele colocar a cara do lado de fora para ouvir uma estrondosa vaia e gritos de “traidor”. Tratou logo de voltar para dentro do prédio.

Não fico

O deputado Fagner Calegário, que deverá se filiar nos próximos dias ao PL da ex-deputada federal Antônia Lúcia, ao fazer aparte no discurso da deputada Maria Antônia (Pros), subiu o tom ao dizer que “se aqueles que me elegeram não podem entrar nessa Casa, eu também não posso ficar dentro dela”. E em seguida se retirou do plenário.

Tempos difíceis

Um dia somos obrigados a ouvir o filho do presidente da República falar que para se fechar o STF basta um soldado e um cabo, noutro o ministro da Economia, Paulo Guedes, fala em “renascimento” do AI-5. Por aqui nosso governador politicamente bipolar usa da força policial para impedir que o povo entre na Assembleia Legislativa. Tempos difíceis para a democracia brasileira.