Em editorial publicado nesta segunda-feira, 5, o jornal norte-americano The Wall Street Journal (WSJ) rebate, um a um, os argumentos da esquerda mundial contra a captura de Nicolás Maduro pelos EUA.
De maneira geral, os políticos e governos esquerdistas, as ditaduras comunistas e as Nações Unidas, como um viés claramente globalista, afirmam que a ação norte-americana é uma ofensa à soberania da Venezuela e uma afronta ao Direito Internacional. Invocam a carta da ONU para recriminar os EUA e defender a integridade da ditadura.
Porém, o jornal já começa com uma pergunta que põe luz no debate: “Será que o direito internacional se tornou o melhor amigo de um tirano?” Se a resposta for dada pelo “complexo dominante de professores, ONGs e burocratas multilaterais” a resposta é sim: a prisão do ditador é ilegal.
Com ironia, o editorial cita o posicionamento do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que se disse “profundamente preocupado com o desrespeito às normas do direito internacional”. “Juntam-se a ele os suspeitos de sempre, incluindo os europeus, sempre a salvo da controvérsia, a China (‘uma clara violação’) e a Rússia, sem escrúpulos (‘um ato de agressão armada’)”, afirma o texto. “Nossa declaração favorita é a do Hamas, que condena a prisão de Maduro como uma ‘grave violação do direito internacional’ e um ‘ataque à soberania de um Estado independente’.”

Segundo o WSJ, “hoje, regimes autoritários estão em ascensão, e o direito internacional e as instituições que supostamente o defendem acabam protegendo os infratores”. Isso demonstra a deturpação de leis internacionais criadas com a participação ativa das democracias do mundo, especialmente os Estados Unidos, diz o jornal. Mas, “os criminosos do mundo quebram todas as regras, apenas para usá-las contra democracias que respeitam a lei, como forma de perpetuar sua ilegalidade”.
O apelo à carta da ONU
Sobre o apelo da esquerda ao artigo 2(4) da Carta da ONU, onde está previsto que “todos os membros deverão abster-se, nas suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”, o WSJ diz que é preciso aprofundar a análise, especialmente porque a autoridade legítima do país — Edmundo González, reconhecido presidente eleito pelos EUA em 2024 — manifestou-se a favor da operação.
“Edmundo González, eleito pelo povo venezuelano em 2024, manifestou-se a favor da operação. O regime de Maduro, que fraudou essa eleição, opõe-se a ela. A posição bipartidária dos EUA é que Maduro não era o presidente legítimo”, afirma o jornal.
O editorial também lembra que 32 cubanos foram mortos na operação dos EUA em Cuba, mas, nesse caso, a esquerda não vê problema de soberania. “Como escreve nosso colaborador Eugene Kontorovich: ‘seria estranho interpretar o Artigo 2(4) como permitindo que potências estrangeiras usem tropas para apoiar um ditador ilegítimo e não eleito, mas não para removê-lo’.”
Para o Wall Street Journal, as críticas de que a prisão de Maduro abriria precedente para ações russas na Ucrânia ou chinesas contra Taiwan não se sustentam. Moscou e Pequim já ignoram o direito internacional sempre que lhes convém, como demonstram os vetos no Conselho de Segurança e a recusa da China em acatar decisões sobre o Mar da China Meridional. E vai além: “O Tribunal Penal Internacional tornou-se uma arma contra os EUA e Israel em sua luta contra o terrorismo.”
O editorial entende que a única proteção efetiva ao mundo livre continua sendo a dissuasão proporcionada pela força militar ocidental. A captura de Maduro, diz o WSJ, foi uma demonstração de coragem e precisão que “valerá mais do que mil resoluções da ONU” para fazer com que Rússia, China e Irã pensem duas vezes antes de desafiar democracias.
Por fim, o jornal diz que “o internacionalismo liberal é um fracasso moral e político se não consegue distinguir entre a agressão da Rússia e da China para engolir democracias vizinhas e uma ação militar dos EUA para prender um ditador sem lei em conluio com os piores atores do mundo”.



