O Foro de São Paulo e a realidade política acreana | Artigo de Valdir Perazzo

Acordei hoje minha mulher me dando a notícia (alvissareira) de que os Estados Unidos haviam capturado o ditador venezuelano Nicolás Maduro, sucessor de Hugo Chaves, sob o governo de quem (Maduro) o povo venezuelano amarga os rigores de um regime tirânico há mais de uma vintena de anos, cujo legado é apenas de miséria. Ali se tenta implantar o socialismo do século XXI, como se socialismo pudesse dar certo.

Por coincidência, nesse momento mesmo dessa notícia animadora para todo o subcontinente Sul-americano, eu estava lendo o livro “Foro de São Paulo e a Pátria Grande, do jornalista e analista político Paulo Henrique Araújo, com prefácio do ex-ministro de relações exteriores do Governo Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo.

Uma obra muito bem documentada. Com efeito, tomei conhecimento do livro acompanhando o trabalho que o jornalista português José Carlos Sepúlveda da Fonseca faz como colunista em diversas publicações nacionais e internacionais e palestrante em eventos conservadores e monárquicos.

Aliás, conheci pessoalmente o ilustre jornalista em um evento de conservadores em São Paulo, na companhia do meu amigo, ex-suplente de senador e empresário Fernando Lage. Aceitei a sugestão de quem tem autoridade moral e intelectual no que diz respeito à análise da conjuntura política mundial.

Durante muitos anos ficamos sem saber o que era o Foro de São Paulo. A imprensa não noticiava o que era. Até mesmo escondia. Fui filiado ao Partido Socialista Brasileiro – PSB (não sou mais socialista) até início dos anos 90. No partido, que integra o Foro de São Paulo, nunca ouvi falar nada sobre tal entidade. Talvez fosse um assunto discutido apenas na cúpula. Como militante eu não tinha acesso à informação.

Passados 15 (quinze) anos da criação do referido foro, Lula passou a se vangloriar de sua criação. Está como epígrafe do capítulo XI do livro acima citado um trecho de discurso de Lula sobre a sua criação: “Em 1990, quando criamos o Foro de São Paulo, nenhum de nós imaginava que em apenas duas décadas chegaríamos onde chegamos. Naquela época, a esquerda só estava no poder em Cuba. Hoje, governamos um grande número de países e, mesmo onde ainda somos oposição, os partidos do Foro têm uma influência crescente na vida política e social. Os governos progressistas estão mudando a face da América Latina”. (Lula da Silva, 18º encontro do Foro de São Paulo).

Não sei se Lula depois da captura de Nicolás Maduro vai continuar com o mesmo entusiasmo no sentido de dizer que foi ele e Fidel Castro que criaram o Foro de São Paulo, no escopo de propagar o comunismo na América Latina, cujo legado, a partir da experiência da Venezuela, é apenas de fracasso, ou seja, tirania e miséria. Um país com todas suas instituições em frangalhos, falta de liberdade, prisões políticas, e mais de 7 milhões de pessoas fora da Venezuela, porque tiveram como alternativa apenas deixar o país para não morrer de fome.

No livro obtive também importante informação do papel da Teologia da Libertação para efeito de criação do Foro de São Paulo. Destaco o capítulo IV do aludido livro, onde o autor fala do papel da infiltração comunista na Igreja Católica. Numa epígrafe com duas linhas, de escritos de Leonardo Boff, já se pode aferir qual era a agenda da Teologia da Libertação para o subcontinente latino-americano. Eis a epígrafe do capítulo referido: “A Teologia da Libertação é acabar com o sistema de injustiça que é o capitalismo. É libertar-se dele para criar em seu lugar uma nova sociedade, digamos assim, uma sociedade socialista”.

É doloroso saber e constatar que esse projeto nefasto, levado a termo pelo Foro de São Paulo, e que levou ao poder governos como o da Venezuela, sob o comando de Hugo Chaves e de Nicolás Maduro, se deu sob o patrocínio da Igreja Católica, cujo fundamento teórico era o da Teologia da Libertação, de inspiração puramente marxista. Teologia que Julio Loredo de Izcue, diz ser “um salva-vidas de chumbo para os pobres”.

Lula da Silva (sindicalista e criador do PT), e Frei Betto, um dos expoentes da Teologia da Libertação, conheceram Fidel Castro (com quem Lula fundou o Foro de São Paulo), em 1990. Para se entender as circunstâncias de como Lula e Frei Betto conheceram Fidel Castro, recorro a um subtítulo do capítulo mencionado: “A Festa revolucionária: noite sandinista em São Paulo”.

Diz o autor o que foi tal noite sandinista em São Paulo: “…foram realizadas em São Paulo as jornadas pela Teologia da Libertação. Todos os eventos aconteceram na Arquidiocese de Dom Evaristo Arns e sob seu patrocínio. Em uma fazenda na cidade de Taboão da Serra, sede do Instituto Paulo VI (centro de Treinamento de Líderes da Arquidiocese de São Paulo), ocorria o IV Congresso Internacional Ecumênico de Teologia, congresso cercado de sigilo”.

O anfitrião desse congresso ecumênico, Dom Evaristo Arns, na sua fala de conclusão do evento sigiloso, informa que vai mandar pessoas para “aprender” com a Nicarágua como se faz o processo revolucionário comunista. Transcrevo as palavras do religioso, constante do livro citado de Paulo Henrique Araújo: “Como concluir? Não há uma conclusão. A coisa apenas começou. (…) chega de teologia e vamos a prática: onde estão os grupos que vão para a Nicarágua, para aprender?

Pois bem. Pelo Cardeal foram enviados grupos de pessoas católicas à Nicarágua para aprender como se faz uma revolução. No primeiro ano de comemoração da revolução sandinista lá estavam Lula da Silva e Frei Betto, que se encontraram com Fidel Castro. Frei Betto entabulou com Fidel Castro a elaboração de um livro (Fidel e a Religião). Eu tenho uma edição desse livro em espanhol. E Lula, a partir de então, travou amizade com o ditador cubano, com quem, anos depois, fundou o Foro de São Paulo, do qual Lula agora se orgulha.

Tomei conhecimento sobre o Foro de São Paulo 23 anos depois que ele foi criado, quando foi publicado o livro “O Mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, do filósofo Olavo de Carvalho, organizado pelo jornalista Felipe Moura Brasil. Reforcei minhas convicções sobre o que disse o filósofo, relativamente ao socialismo que estava sendo implantado na Venezuela, sob o pálio do referido foro, lendo o livro “Hugo Chaves – o Espectro (Como o presidente venezuelano alimentou o narcotráfico, financiou o terrorismo e promoveu a desordem global), do jornalista Leonardo Coutinho.

E agora, o que o Acre tem a ver com o Foro de São Paulo? Tudo. O Acre foi um dos Estados brasileiros que teve governos petistas durante uma vintena de anos. Nesses vinte anos de governos petistas, quase toda a América Latina vivia sob à direção de governos de partidos integrantes do Foro de São Paulo. Quando da inauguração da empresa estatal (fracassada) “Peixes da Amazônia”, para tal inauguração foi convidado e recebido com honras de chefe de estado, o líder cocaleiro do país vizinho, Evo Morales, graças a Deus hoje fora do poder.

Os acreanos, inclusive os líderes que faziam oposição ao PT (partido integrante do Foro de São Paulo), não tinham a menor ideia de qual era a influência política internacional determinante para o sucesso do PT nas seguidas eleições que venceu.

Portanto, quero sugerir aos jovens acreanos, que hoje têm mais capacidade de entender a conjuntura política internacional, graças à liberdade de expressão – cuja censura o governo cogita – que leiam a obra acima citada. É o mínimo para se entender o quanto o Foro de São Paulo foi nefasto para o Acre, como de resto para o Brasil e América Latina.

Para os jovens católicos, concluo me socorrendo do que disse o Santo Padre Pio XI, em sua Encíclica “Quadragésimo Ano”, para que não caiam no discurso falacioso da Teologia da Libertação (Um salva-vidas de chumbo para os pobres), que advoga o socialismo como panaceia para enfrentar a pobreza: “Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista”.

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