VOCÊ SABIA?

O soldado espanhol que virou Rei Maia e lutou contra a própria Espanha

O que você faria se descobrisse que as causas pelas quais você luta na verdade podem não ser as justas? Existe uma história digna de bravura e honra que você jamais vai ver em filmes ou encontrar facilmente em livros. Essa é a história de alguém que é tido pela coroa espanhola como um traidor de seu povo, um homem que se aliou aos inimigos, ensinou técnicas de combate e lutou ao lado deles contra o seu rei, que havia organizado uma missão para resgatá-lo.

O que levou um dos melhores soldados espanhóis a se tornar aliado de um inimigo? Dinheiro? Poder? Ou reconhecer que na verdade o “inimigo” poderia não ser o vilão da história? Após sair vencedor em inúmeras batalhas em nome da coroa da Espanha, Gozalo Guerrero se recusou a fazer o mesmo contra nativos inocentes que mal conseguiam entender o que estava acontecendo, mais que isso, ele acabou se tornando um rei deles.

Montagem/Diário do Acre

Perdidos em terras inimigas

Localização da Península de Yucátan em amarelo. Imagem/Internet

Em 1511 durante a colonização espanhola na região do México, uma expedição teve sua embarcação naufragada na península de Yucatán. No naufrágio houveram seis sobreviventes que ao chegarem na costa deram de cara com integrantes da tribo maia Cocomes, onde cravaram uma batalha na qual saíram vitoriosos, mas quatro dos espanhóis morreram.

Os outros dois sobreviventes terão seu papel nesta história, um deles era um frei católico chamado Gerónimo de Aguilar; o outro era um soldado muito reconhecido por suas façanhas e que teve papel fundamental na vitória contra os membros da tribo Cocomes que encontraram, este era chamado Gonzalo Guerrero . Após essa batalha, os dois tentaram sobreviver no território, mas em menor número acabaram sendo capturados e feitos prisioneiros por outra tribo maia, os Tutul Xiúes, e acabaram como escravos.

De escravo a general

Durante os anos de escravidão o frei Gerónimo se manteve fiel à suas raízes e ao cristianismo, mas Gonzalo se adaptou fácil à cultura maia. Os dois se surpreenderam com a quantidade de ouro e riquezas que as terras recém-descobertas por eles tinha.

Um dia o chefe da tribo de nome Balam ao sair para caçar com seu escravo Gonzalo Guerrero, foi atravessar um rio a nado e acabou sendo atacado por um jacaré. Gonzalo ao invés de deixar seu chefe morrer, o salvou das presas do animal. Por ser um povo muito honrado, como agradecimento Balam concedeu liberdade de escravo e nomeou Gonzalo como um dos chefes da tribo, onde passaria a ensinar os Tutul Xiúes novas estratégias de combate para enfrentar as tribos inimigas que frequentemente atacavam o território.

Gonzalo Guerrero. Imagem/Internet

A expedição de resgaste

Em 1519 uma expedição espanhola desembarca na Ilha de Cozumel, próximo as terras dos Tutul Xiúes e ao saberem dos sobreviventes enviaram uma carta pelos índios à eles, a carta chegou nas mãos de Gonzalo que naquela altura já era reconhecido como um o equivalente a um rei para o povo Maia. Gonzalo decidiu ficar, mas como sabia que seu companheiro Gerónimo não havia se adaptado à nova vida, convenceu a tribo, com uso de sua influência, a deixa-lo partir de volta para a Espanha na expedição que enviou a carta.

Ao chegar em seu país de origem, Gerónimo relatou a experiência ao lado dos maias e quando o rei Carlos I da Espanha soube da quantidade de ouro que aquelas terras tinha, usou a convivência com os maias de Gerónimo e ordenou que anos mais tarde ele voltasse à Yucatán com uma tropa maior e guiasse os soldados para conquistar as terras, expulsar os maias e resgatar Gonzalo de volta à Espanha.

El Renegado

Quando os espanhóis chegaram nas terras, Gonzalo Guerrero percebeu que foi um erro ter deixado Gerónimo partir e sabia o motivo da vinda deles. Por ter sido soldado de elite, conhecia todo o poderio militar que vinha junto com as caravelas e consequentemente já conhecia o desfecho daquela batalha: não haveria a menor chance para os Maias e agora teria que escolher um lado.

Gonzalo deixou suas origens, tradições, amigos e carreira ao decidir lutar ao lado dos nativos, por sua decisão passou a ser chamado de El Renegado pelos espanhóis como sinal de que a partir de então seria visto como um traidor. Este colunista gostaria de informar um final feliz para essa história, mas a batalha durou bem menos do que se esperava. Gonzalo Guerrero foi morto com um tiro no peito logo após tomar sua decisão.

Sobre a tribo? Bom, você conhece o mundo hoje e sabe que o idioma espanhol é falado no México.