Batizada de “Apertem os Cintos”, ação policial revelou que parentes vendiam acesso a crianças para aeronauta por valores irrisórios.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta segunda-feira (9/2), a Operação Apertem os Cintos, resultando na prisão de um piloto de linha aérea de 60 anos, identificado como S. A. L., e de duas mulheres. O homem foi detido dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, instantes antes de decolar para o Rio de Janeiro. De acordo com o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), ele é suspeito de liderar uma rede de exploração sexual e pornografia infantil que operava há pelo menos oito anos, utilizando documentos falsos para levar menores a motéis.
A investigação revelou detalhes perturbadores sobre a participação de familiares das vítimas no esquema. Uma das presas, D. M., de 55 anos, é avó de três meninas (atualmente com 10, 12 e 18 anos) e teria “vendido” o acesso às netas em troca de pagamentos que variavam entre R$ 50 e R$ 100. Além dela, a mãe de outra vítima foi presa em flagrante; as autoridades descobriram que ela não apenas permitia os abusos, como também filmava a própria filha e enviava as imagens ao piloto, chegando a ter o aluguel da residência pago pelo criminoso como forma de recompensa.
A delegada responsável pelo caso, Ivalda Aleixo, afirmou que ao menos dez vítimas já foram identificadas, mas o número pode ser significativamente maior devido ao vasto material encontrado nos dispositivos eletrônicos apreendidos. Relatos policiais indicam que uma das crianças sofria abusos desde os 8 anos de idade e apresentava marcas recentes de agressão física ocorridas em um motel na semana anterior à prisão. A rede funcionava de forma estruturada, com divisão de tarefas e pagamentos regulares para garantir a continuidade dos crimes e o silêncio dos envolvidos.
Em nota oficial, a companhia aérea Latam informou que abriu uma apuração interna imediata e afastou o funcionário de suas funções. A empresa reiterou que repudia veementemente qualquer ação criminosa e está colaborando integralmente com as autoridades para o fornecimento de informações que auxiliem no inquérito. O voo que seria operado pelo investigado seguiu viagem normalmente após a substituição da tripulação, cumprindo o cronograma previsto sem maiores incidentes para os passageiros.
Os acusados responderão por crimes que incluem estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição infantil, produção e compartilhamento de pornografia infantojuvenil, além de uso de documento falso. A Justiça determinou a prisão temporária dos principais envolvidos para garantir que provas digitais não sejam destruídas durante a perícia nos celulares e computadores apreendidos em São Paulo e Guararema. O caso segue sob segredo de Justiça para preservar a dignidade e a integridade das menores afetadas.



