Partidos de oposição protocolaram nesta sexta-feira (23) o pedido de impeachment do governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB-DF), por, supostamente, atuar para que o Banco Master, investigado por um esquema de fraudes, comprasse o Banco de Brasília (BRB).
A ação, direcionada à Câmara Legislativa do DF, alega que Ibaneis cometeu crime de responsabilidade mesmo sabendo dos riscos do negócio para o patrimônio do DF. “O denunciado, na qualidade de Chefe do Poder Executivo e acionista controlador indireto do BRB, teria impulsionado e defendido publicamente operação de elevado risco”, destaca trecho do pedido de impeachment.
O documento reforça, ainda, que o prejuízo ao BRB agora é incontestável. Nesta sexta, o BACEN determinou que o BRB aporte R$ 2,6 bilhões para cobrir as perdas em razão das operações com o Master.
Para que o pedido de impeachment avance, é preciso que o presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB-DF) dê o aval.
Assinaram os pedidos:
- Rodrigo Dias (PSB-DF);
- Rodrigo Rollemberg (PSB-DF);
- Ricardo Capelli (PSB-DF);
- Leonardo Pinheiro (PSB-DF);
- Cristovam Buarque (presidente do Cidadania)
- Rodrigo Pereira e Lynecker Juliano (advogados)
O diretório do PSOL também protocolou um pedido, que foi assinado pela presidente regional da sigla, Giulia Tadini.
Caso Banco Master
As liquidações do Banco Master, decretada pelo BC em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira (15), revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e PF.
“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.
A PF também quebrou os sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso do Banco Master. A medida foi autorizada em 6 de janeiro pelo ministro Dias Toffoli, do STF.
As quebras de sigilo abrangeram as movimentações no período de 20 a 21 de outubro de 2025. A solicitação foi pela Polícia Federal (PF) com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com a decisão, a apuração aponta indícios da prática de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento de investidores em erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de capitais.





