VOCÊ SABIA?

Os extremismos da esquerda e da direita alimentam um ao outro

Ontem assisti a um vídeo divulgado em uma rede social pela ex-deputada federal do PC do B, Manuela D’Ávila, sobre um grupo de mulheres que cantavam um hino com os dizeres “estuprador é você. São os policiais. Os juízes. O Estado. O Presidente. O estado opressor é um macho estuprador”. A canção é uma versão brasileira da que foi cantada pelo movimento feminista durante protestos nas ruas de Santiago do Chile com intenção inicial de denunciar a violência contra a mulher e expor as teses do movimento feminista, dizendo que todo homem é um estuprador.

Toda manifestação popular em prol de melhorias é válida e ajuda a moldar o mundo em que vivemos. Falar sobre estupro e repudiar esse ato tão nojento é necessário, ainda mais em um país com média de 180 casos de estupros por dia. O problema está na forma extrema em que algumas situações são despejadas na sociedade. Será que isso resolveria o problema? Ou descredibiliza a manifestação que poderia ter uma boa intenção?

Em meu direito de resposta (já que todos os homens foram incluídos na canção), eu digo: não sou um estuprador e muito provavelmente você, leitor, também não é. Felizmente, ainda há mais pessoas boas do que ruins no mundo, mas só o mal é divulgado. Temos filhos, esposas, dignidade e repudiamos estupradores tanto quanto vocês. A polícia, que foi incluída na letra é a primeira a ser chamada para combater atos como esses. Cada qual tem sua função perante a sociedade para garantir os direitos básicos de todo ser humano. Impor, como diz o ditado, “de goela abaixo” ideias que generalizam algo com extremidade, gera alienação que serve de munição para o confronto político onde todos saem perdendo.

Se eu critico as feministas do “estuprador és tu” prontamente serei taxado de opressor, machista e o próprio estuprador, quando na verdade estou dizendo que não é assim que as coisas vão se resolver, não é assim que você vai conseguir que a população entenda sua luta.

Como já diz a lei de Newton, toda ação gera uma reação. Toda caminhada por mudanças é longa e o mundo vem evoluindo, se não evoluísse, ainda estaríamos vivendo nas cavernas. O Brasil que hoje vive sob um regime de direita conversadora foi construído também pela extrema esquerda, pois vivemos em uma sociedade conversadora, viemos de uma história conservadora, hoje uma minoria deseja exigir os seus direitos de liberdade, mas precisa pensar em como vai fazer para ir mudando a cabeça das gerações, ao invés de chocá-los da noite para o dia.

Aos poucos as coisas vão mudando, como por exemplo, a homossexualidade hoje é aceita de forma bem mais natural do que era aceita há 30 anos. Mas quando alguém quer impor à sociedade que devem aceitar as pessoas como são a qualquer custo, por exemplo, colocando Jesus Cristo como um transexual em cima de um trio elétrico em uma parada gay (como já aconteceu), tudo o que você vai conseguir é gerar raiva, medo, pânico e empurrar esse outro lado cada vez mais para o outro extremo, fazendo-os clamar por atitudes extremas, o que municia falas polêmicas do presidente da República, gerando o efeito colateral dos seus atos.

No Brasil não existe hoje um diálogo de convivência coletiva, há uma esquerda que quer aniquilar qualquer ideia de direita que exista e há uma direita que quer aniquilar as ideias de esquerda. Vemos isso quando observamos amigos de infância parando de se falar e até mesmo filhos rompendo relações com os pais por ideais políticos, onde vamos parar? Se um desses lados vencer, começarão a brigar entre si.

Temos hoje uma extrema esquerda e direita mais parecidas do que imaginam, onde uma precisa da outra para continuar alimentando suas ideias, onde crescem apontando os defeitos do outro lado ao invés de se promoverem.