Levantamento da Seplan revela grandes diferenças de valores entre estabelecimentos e acende alerta para consumidores no início do ano letivo.
Com a chegada de mais um ano letivo, pais e responsáveis por crianças e adolescentes enfrentam uma tarefa que costuma pesar no orçamento: garantir a compra do material escolar. Um levantamento realizado em Rio Branco pela Secretaria Estadual de Planejamento (Seplan) revelou que a maioria dos itens apresenta variação superior a 100% nos preços entre diferentes estabelecimentos comerciais, reforçando a necessidade de pesquisa antes da compra.
A pesquisa comparou o maior e o menor preço encontrado nos principais itens utilizados pelos estudantes e foi realizada entre os dias 13 e 15 de janeiro. O objetivo do estudo foi orientar consumidores e chamar atenção para a diferença significativa nos valores praticados no mercado local.
Entre os produtos analisados, a maior disparidade foi registrada na borracha branca sem suporte, que variou entre R$ 0,50 e R$ 6, representando uma diferença de 990,9%. Logo em seguida aparece o apontador de lápis com um furo sem depósito, cujo menor preço encontrado foi de R$ 0,50 e o maior de R$ 3,90, resultando em uma variação de 680%.
Outro item que chamou atenção foi o corretivo em caneta com cerca de 0,7 ml, que apresentou variação de 503,3%, com preços entre R$ 3 e R$ 18,10. Em contrapartida, a menor diferença foi registrada na caixa de giz de cera com seis cores, que teve valores entre R$ 4,85 e R$ 5, resultando em variação de apenas 3,09%.
O levantamento analisou três categorias principais de produtos: cadernos, papel sulfite e refil para fichário; materiais de escrita como apontadores, borrachas, canetas, lápis, marca-texto e réguas; além de itens artísticos e pedagógicos como colas, lápis de cor, massa de modelar, tinta guache, tesoura e cartolina. A pesquisa destaca ainda que marcas e características específicas, como produtos personalizados com personagens, podem influenciar diretamente no preço final.
Segundo os dados divulgados, dos 42 itens avaliados, 28 apresentaram variação superior a 100%, enquanto 14 registraram diferença inferior a 97%. O estudo ressalta que, em muitos casos, produtos mais baratos podem atender às necessidades dos estudantes sem prejuízo de qualidade, principalmente diante das diferenças acentuadas de preços.
Para a professora Andressa Samara Soares da Silva de Jesus, de 37 anos, o custo do material escolar das duas filhas pesou significativamente no orçamento familiar neste ano. Segundo ela, os gastos foram maiores do que em anos anteriores, principalmente devido aos preços das mochilas e materiais exigidos para estudantes do ensino fundamental II e ensino médio.
De acordo com a professora, o investimento total chegou a quase R$ 1,7 mil, sem incluir os livros didáticos. Ela contou que buscou alternativas para economizar, adquirindo alguns itens pela internet. Enquanto isso, o Procon-AC reforça a fiscalização no período de volta às aulas, alertando que pais devem ficar atentos a possíveis práticas abusivas, como exigência indevida de materiais ou imposição de marcas específicas. O órgão orienta ainda que consumidores guardem notas fiscais, listas escolares e comprovantes para eventuais denúncias.



