OPERAÇÃO PRESSÁGIO

PF deflagra operação envolvendo prefeitura de Cruzeiro do Sul, ONG e empresas de fachada

A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Presságio em Cruzeiro do Sul, Rio Branco e em outros cinco estados. Foram cumpridos mandados judiciais no Acre, Amazonas, Rondônia, Minas Gerais, Sergipe e no Distrito Federal. O prefeito cruzeirense, Ilderlei Cordeiro (Progressistas) não está na cidade.

Resultado de mais de um ano de investigação, a operação investigava os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, quadrilha ou bando, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, supostamente cometidos por agentes políticos, servidores da prefeitura de Cruzeiro do Sul e por gestores de uma ONG que prestava serviços à prefeitura.

Momento em que agentes da PF chegavam à sede da prefeitura de CZS/Foto: cedida

Foram cumpridos sete mandados de prisão e 38 de busca e apreensão. Agentes confiscaram mídias eletrônicas, processos licitatórios, notas fiscais e documentos diversos relacionados à investigação. Além disso, a justiça decretou o bloqueio de R$ 3,84 milhões dos investigados.

Fonte do site Diário do Acre afirmou que Ilderlei figura entre os alvos da operação, existindo contra ele um mandado de prisão. Essa informação não pôde ser apurada junto à PF.   

Buscas foram feitas na sede da ONG CBCN/Foto: assessoria da Polícia Federal

Segundo a assessoria de comunicação da PF no Acre, ONG CBCN (Centro Brasileiro de Conservação da Natureza), fundada em 1967 em Minas Gerais, foi contratada com dispensa de licitação pela prefeitura de Cruzeiro do Sul, mas jamais prestou os serviços previstos nos termos de colaboração firmados com o município.

Ao todo foram cinco termos com diversas secretarias da prefeitura, no valor de R$ 52.164.593,74. Até o fim do exercício de 2019, a ONG já havia recebido cerca de R$ 27 milhões.

Segundo a PF, ao longo da investigação apurou-se que os serviços licitados pela prefeitura não foram efetivamente cumpridos, e nem sequer existe a possibilidade de que sejam concluídos até o fim da vigência dos contratos.

“A referida ONG deveria até 2021 tornar Cruzeiro do Sul autossuficiente na produção de energia por meio do aproveitamento do lixo produzido no município. Com efeito, o serviço de coleta de lixo prestado em Cruzeiro do Sul está muito distante disso”, diz a PF em nota.

As ações da organização criminosa eram complexas e envolviam diversas pessoas e empresas. Em geral, os repasses que ela recebia da prefeitura eram utilizados para o pagamento de uma empresa contratada pela própria ONG. Essa empresa, que fora criada especificamente para prestar serviços à ONG em Cruzeiro do Sul, repassava os valores para diversas empresas de fachada – que por sua vez distribuíam o dinheiro entre os membros da organização criminosa.

O nome “Operação Presságio” foi escolhido porque a equipe que investigativa detectou que os integrantes da suposta organização criminosa pressentiam que o esquema seria descoberto e eles, presos.