Pioneira no agronegócio da Amazônia: a história de Cirede Urach Carloto

Nascida em Bossoroca (RS), Cirede Urach Carloto, 47 anos, é um nome que ressoa fortemente no agronegócio brasileiro, sobretudo na região amazônica. Chegada no Pará em 1997 – mudou-se para lá a fim de acompanhar o marido, Bazílio Carloto, 58 anos, que acreditava no futuro promissor do agro na região – ela construiu lá sua família e sua trajetória profissional, baseada na inovação e compromisso com a sustentabilidade.

A ida para Paragominas (PA) marcou o início de uma nova fase na vida de Cirede. “Eu vi que precisava mudar como mulher. Não podia me acomodar e me esconder por trás do trabalho do meu marido. Nós, mulheres, temos o dom de administrar não só nossa família, mas também os negócios”, afirma. 

Foi com essa mentalidade que ela passou a buscar conhecimento sobre o agronegócio, tanto em eventos, nos quais acompanhava Bazílio, quanto na prática do dia a dia do campo. “Meu marido ia a uma palestra e eu nem esperava ele me convidar para ficar pronta e ir junto, porque eu tinha vontade de aprender mais sobre o meu setor e a profissão que eu iria atuar dali para frente”, relembra. 

O objetivo da mudança para o Pará era desenvolver projetos que alavancassem a agricultura da região, já que Bazílio era um especialista da área. Paralelamente, o casal resolveu também adquirir terras por lá. Acostumados às práticas agrícolas do Sul, eles tiveram que se adaptar às condições climáticas e ao ritmo de trabalho da nova região. No início, cultivavam arroz, mas logo diversificaram suas atividades, incorporando o milho e, finalmente, a soja, que se tornou a principal cultura da fazenda. Eles começaram com 150 hectares de terra arrendada e hoje possuem mais de 6 mil hectares.

Em 2012, o casal fundou a cooperativa, a COOPERNORTE, com o objetivo de unir pequenos produtores e promover práticas agrícolas mais sustentáveis. A cooperativa, além de focar na produção, investe fortemente em programas sociais e ambientais, refletindo a visão de Cirede sobre a importância de o desenvolvimento do agronegócio caminhar lado a lado com a responsabilidade social e ambiental. “A gente veio desenvolver o agro, mas trouxemos muito mais na bagagem, porque sempre focamos em também desenvolver humanamente a região que tanto nos acolheu”, diz.

Um dos projetos mais marcantes liderados por Cirede é a feira agropecuária SHOW AGRO. O evento não é apenas um espaço de comercialização, mas também de educação e conscientização ambiental. Crianças das escolas locais participam de oficinas, plantio de árvores e aprendem sobre a importância da preservação do meio ambiente. O bosque anexado ao espaço onde ocorre a feira estava abandonado e foi revitalizado pelos jovens e por palestrantes do evento, que plantaram uma horta e algumas mudas nativas, inclusive de espécies que estão em extinção. Principalmente por localizar-se no meio da Floresta Amazônica, Cirede reforça a importância da feira servir de exemplo quando o assunto é recuperação ambiental e uso sustentável da terra.

A COOPERNORTE também promove eventos como o Fórum do Plantio Direto, incentivando práticas agrícolas sustentáveis e reunindo agricultores para compartilhar conhecimentos e experiências. Essas iniciativas não só aumentam a produtividade, como também mostram que é possível coexistir com a floresta de forma harmoniosa e responsável. Por essas e outras ações coordenadas por Cirede, a COOPERNORTE ganhou o primeiro lugar do Prêmio SomosCoop Pará 2023 na categoria Responsabilidade Socioambiental.

Além da feira, Cirede coordena o Núcleo de Mulheres Cooperativistas COOPERNORTE, que fortalece a participação das mulheres nas cooperativas do norte do Pará, destacando a riqueza e o potencial da região. “Mostrar a realidade positiva do Pará para o Brasil e para o mundo é crucial”, afirma Cirede. “Há muitas famílias comprometidas com a preservação e o desenvolvimento sustentável.

Os resultados do trabalho árduo de Cirede são visíveis nos prêmios recebidos pela fazenda. Em programas como o COOPER+, promovido pela cooperativa, os agricultores são incentivados a aumentar sua produtividade com práticas inovadoras e sustentáveis. Recentemente, Cirede foi premiada por alcançar uma das maiores produtividades de soja na região na safra 23/24. “Nós mostramos que é possível desenvolver o agronegócio de forma sustentável e responsável”, celebra Cirede.

Além de seu trabalho na cooperativa, Cirede se envolve ativamente em programas sociais, apoiando a educação e a saúde na comunidade. Como presidente da ONG Amor em Ação Paragominas, ela idealiza iniciativas de combate ao câncer, também conscientizando e apoiando famílias afetadas pela doença.

O envolvimento de Cirede com a comunidade e com o campo transpassa o âmbito profissional. A paixão pelo desenvolvimento agrícola compartilhada com o marido também serviu de base na educação dos filhos do casal. Nathalia, 27 anos, Daniel, 25 anos, e Wanessa, 22 anos, cresceram em meio às atividades da fazenda, aprendendo desde cedo o valor do trabalho árduo e da sustentabilidade. “Sempre buscamos integrar nossa vida familiar ao nosso trabalho, ensinando nossos filhos a importância de cuidar da terra e respeitar o meio ambiente”, afirma Cireide. Agora, com os netos Felipe, 2 anos, e Victorio, 1 ano, essa tradição continua, fortalecendo ainda mais os laços familiares e seu compromisso com o futuro do agronegócio brasileiro.

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