Freud explica

Praças e oficiais articulam ‘golpe’ contra os comandantes, enquanto deputados gastam R$ 645 mil do ‘Cotão’

Golpe militar

Ao estilo Luís XVI, rei da França deposto em 1792, na Revolução Francesa, as associações militares se reuniram e pediram as cabeças dos comandantes da Polícia Militar do Acre, os coronéis Mário Cezar de Freitas e Messias.

Revolta da armada

A exemplo de 1891, quando a Marinha se voltou contra o presidente marechal Deodoro da Fonseca, que estava descumprindo a Constituição, resultando na renúncia do mandatário. Os praças e oficiais da PM organizaram um documento e buscaram apoio político com um colega de farda, um major, que hoje ocupa o posto de vice-governador, Wherles Rocha. Em audiência, a caserna disse querer a retirada dos comandantes e, como um bombardeio, divulgaram o documento na imprensa.

Tempo perdido

O discurso de ódio voltou ao debate em tom eleitoreiro na Câmara Municipal de Rio Branco, na terça-feira (30), e me fez lembrar a música tocada por Legião Urbana: Tempo Perdido. No debate, o vereador N. Lima (PSL) afirmou o óbvio: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um homem condenado. Em defesa do preso, o vereador Jackson Ramos (PT), durante as explicações pessoais, usou vídeos antigos do atual presidente da República Jair Bolsonaro para justificar e atribuir as mesmas acusações ao mandatário de 2019.

Disputa mirim

Os constantes embates entre os vereadores Rodrigo Forneck (PT) e João Marcos Luz (MDB) me fazem recordar as partidas de futebol entre meninos, com marcação cerrada, muita canelada, empurrões e xingamentos. Nessa disputa entre os mirins, Luz acusa a mesa diretora da Câmara de Rio Branco de ter sido manipulada por Forneck para retirar da ata o comentário dele sobre a proposta de um projeto da escola sem partido e da defesa de Bolsonaro.

Fogo amigo

Ao ensinar como a mesa diretora deveria agir, o vereador N. Lima acabou reforçando a decisão de cassação da palavra de João Marcos Luz durante as explicações pessoais, alegando que ele descumpriu o regimento interno ao voltar a defender o anteprojeto de lei da escola sem partido, que havia sido debatido no grande expediente. N Lima segue a mesma linha de Luz, sendo oposição à prefeita de Rio Branco, Socorro Neri (PSB).

Escola sem partido

Como educador, vejo que muita gente incapaz defende a interferência no trabalho do professor, instituindo a “escola sem partido”. Se o ambiente escolar passar a apresentar elementos de censura, os adultos do futuro viverão em uma rígida ditadura que cresce junto com os jovens, abrindo um enorme buraco negro nas mentes das pessoas, deixando-as incapazes de pensar. A escola sem partido de hoje é um novo embrião de uma ditadura no futuro.

Ignorância

Pior que o debate sobre a “escola sem partido” é quem propõe o debate, não é menosprezar as pessoas, mas é apontar para a ignorância de quem não conhece nada de educação e de abordagens pedagógicas. Muitos desses que defendem esse câncer são políticos que nunca contribuíram para a sociedade por meio de um projeto de lei que tornasse o Brasil um país desenvolvido.

Educação pela educação

A educação precisa ter como base o ensino das disciplinas previstas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e no Plano Nacional de Educação (PNE). O problema é que nas últimas décadas os próprios políticos têm retirado das escolas a autonomia de ensinar e os alunos sofrem a influência da falta dos serviços que deveriam ser oferecidos, como saúde, educação, segurança. Sem esses serviços, outras pessoas e atitudes tomaram espaço na vida dos jovens, levando muitos para a criminalidade, resultando em assassinatos, tráfico de drogas e, também, se tornando um reduto de partidos políticos oportunistas que encontram nesse caos uma forma de serem eleitos.

Presente I

Para celebrar o Dia do Trabalho, o assalariado pode começar comemorando os cerca de 153 dias em que é obrigado a cumprir uma jornada estafante para pagar impostos. Os dados foram divulgados pelo site Impostômetro.

Presente II

A pessoa trabalha o dia todo para pagar impostos e chega em casa, mas não pode utilizar a energia elétrica, porque passará a pagar, a partir de maio, R$ 1 a mais para cada 100 quilowatts-hora consumidos, graças à mudança para a bandeira amarela. Não basta um aumento de 21,29% em dezembro, é preciso aumentar ainda mais.

Homenagem

Em homenagem ao trabalhador, os deputados federais do Acre gastaram R$ 645.730,48 de janeiro a abril com a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), um dinheiro extra que pode ser usado todo mês como o parlamentar desejar, enquanto não precisa utilizar nenhum centavo do próprio salário de mais de R$ 33 mil.

Pouco

Se fosse possível distribuir em forma de salário mínimo a trabalhadores, esse valor da Ceap, empenhado com a publicidade do próprio deputado, poderia alimentar 647 pessoas. Deputado não abre mão da cota porque precisa pensar na reeleição, enquanto o povo não precisa de educação, saúde e segurança.

Líder

No ranking dos gastos com o cotão, a deputada Jéssica Sales (MDB) usou R$ 149.519,32 nos primeiros quatro meses de 2019, sendo janeiro (mês de recesso) e fevereiro o período em que o recurso foi mais utilizado, chegando a R$ 47.472,42 e R$ 60.316,79, respectivamente. Na retomada dos trabalhos, ela gastou R$ 23,6 mil com a divulgação da atividade parlamentar. Assim, cito uma grande filósofa da internet: “Já acabou, Jéssica?”