De tudo um pouco

Precisamos conversar (e sério) sobre suicídio

Eu sei que após algumas semanas falando sobre coisas agradáveis, como, música e décadas marcantes do século passado, o tema de hoje é um tanto quanto incômodo. Mas é preciso que a gente converse sobre ele. E de maneira séria. O suicídio. Não podemos varrer para debaixo do tapete, um problema que vitima uma pessoa a cada 40 segundos e já é a terceira maior causa de morte no mundo e a quarta maior no Brasil, entre pessoas de 15 a 29 anos.

Visto por muitos como um ato de covardia, o suicídio é na verdade, um sintoma perigoso de uma sociedade que teima em não conversar de forma franca e direta sobre temas como depressão, ansiedade, síndrome do pânico ou esquizofrenia. Estima-se que 90% dos suicídios poderiam ter sido evitados, caso houvesse condições básicas para oferta de ajuda.

O suicídio pode ser causado por vários fatores, entre os quais, um excessivo grau de sofrimento. E esse sofrimento apresentado pelo indivíduo, pode ser verdadeiro ou proveniente de algum transtorno afetivo, como por exemplo, um quadro de psicose aguda ou depressão delirante.

Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde, 883 mil pessoas se matam no mundo a cada ano. É mais gente do que todos os mortos em guerras, homicídios e desastres naturais, que se somados, tiram 669 mil vidas no mesmo período.

Para grandes pensadores, por exemplo, Goethe, Kant, Satre e Russeau, o suicídio possui definições, que se complementam e contradizem. Pois, o objetivo ao suicidar-se é acabar com a dor, sofrimento e angústia e não com a vida.

É perfeitamente possível dizer que o suicida, mesmo que inconscientemente, ”se vinga” das pessoas que o rodeia, como se atribuísse a elas a culpa de sua morte, com o intuito claro de revidar alguma agressão ou sofrimento, de alguma forma, por ele sofrido neste ambiente.

A família e os amigos quase nunca percebem que a pessoa está pensando em tirar a própria vida. E em muitas vezes, a depressão é vista como uma simples tristeza passageira ou até mesmo como frescura, ou um meio de “chamar a atenção”, por parte das pessoas mais próximas, o que só agrava a situação e exacerba o pensamento suicida.

Porém, na maioria das vezes, as pessoas que se suicidam, tem comportamentos que anunciam antes a sua intenção. É necessário estar atento. Principalmente aos detalhes. Frases do tipo, “não aguento mais”, “eu quero morrer” e “queria sumir”, devem servir como um sinal de alerta. Um pedido de socorro.

O psiquiatra Jair Segal, na revista Galileu, afirmou que quase 100% das pessoas que se suicidam, enfrentam algum tipo de distúrbio mental. A maioria depressão. E se a pessoa com depressão consumir álcool e outras drogas, a atenção com ela deverá ser dobrada. O médico diz, que a depressão somada ao consumo de drogas é  responsável pelo maior número de suicídios no mundo inteiro.

As razões podem ser bem diferentes, porém, muito mais gente do que se possa imaginar já teve uma intenção em comum: A de tirar a própria vida. Segundo estudo realizado pela Unicamp, 17 a cada 100 brasileiros, em algum momento, já pensou em dar um fim a própria vida.

É urgente e preciso perder o medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema. Enxergar os mais próximos, ouvir nossos filhos, entender suas silenciosas mensagens e impor limites.

Ouvi dias atrás, em informal bate-papo sobre o tema, que a internet e jogos eletrônicos seriam os grandes vilões das nossas crianças e adolescentes. Afirmo, pois, com a convicção de minha alma, que esse pensamento é severamente equivocado. O problema não está no mundo moderno e/ou virtual. Ele está na falta de compaixão, respeito ao próximo, harmonia e principalmente, falta de limites.

É preciso que cuidemos da nossa sanidade mental. Da nossa e da dos nossos.  Como disse o filósofo Voltaire, “Não é que o suicídio seja sempre uma loucura. Mas, em geral, não é em um acesso de razão que nos matamos”.

Beijos e até semana que vem.