O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli a garantia da convocação de Daniel Vorcaro para prestar depoimento ao colegiado na quinta-feira (5). O congressista disse à reportagem que vai se reunir com o ministro do Supremo nesta terça-feira (3).
Para o parlamentar, o depoimento do dono do Banco Master é importante para a comissão, porque pode esclarecer a contratação dos empréstimos, os valores envolvidos e os procedimentos adotados.
Segundo o senador, o ofício encaminhado ao ministro, na quinta-feira (29), trata exclusivamente da autorização de deslocamento, em razão de medidas judiciais em vigor, como o uso de tornozeleira eletrônica. “A CPMI aprovou a convocação. A decisão da Comissão não está em discussão”, afirmou à Jovem Pan.
Questionado sobre a possibilidade de o STF impedir a oitiva, o senador e relator da CPMI defendeu que o Poder Judiciário não legisla, não preside CPI e não substitui o Congresso. “Cabe ao Supremo garantir direitos individuais; cabe ao Parlamento investigar. Quando cada Poder atua dentro de seus limites, não há conflito”, avaliou.
Viana afirmou que a comissão seguirá com os trabalhos até a conclusão das investigações. “A CPMI do INSS vai cumprir sua missão até o fim, doa a quem doer, porque proteger aposentados, viúvas e órfãos não é uma opção política, é um dever constitucional”, concluiu.
CPMI do INSS
Instalada em 20 de agosto, a CPMI do INSS realizou 29 reuniões até 4 de dezembro e deve retomar os trabalhos em 5 de fevereiro. Neste ano o trabalho da comissão será concentrado em análises de fraudes em empréstimos consignados, com suspeitas de assédio, concessão sem consentimento e renovações fraudulentas que geraram dívidas impagáveis.
Em 2025 a CPMI ouviu 26 testemunhas, incluindo Antônio Carlos Camilo Antunes, que ficou conhecido como o “Careca do INSS”. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), qualificou Antunes como “autor do maior roubo a aposentados e pensionistas da história do Brasil”.
Segundo os dados apurados pela CPMI, ele seria o operador do esquema e teria movimentado R$ 24,5 milhões em cinco meses. Vários depoentes optaram por permanecer em silêncio amparados por habeas corpus. Além disso, senadores afirmaram que alguns depoentes mentiram durante as oitivas.
Caso Master
As liquidações do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira (15), revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro.
O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).
“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.
De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Como resultado, no dia 17 de novembro, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso. Depois, ele foi solto com uso de tornozeleira eletrônica.




