EXCLUSIVO

Presidente do Iapen mandou transferir homicida que fugiu da unidade de segurança mínima

Partiu do presidente do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), Lucas Gomes, a ordem de transferência do detento Matheus Campanerutti Pinheiro, vulgo ‘Diabão’, do presídio Francisco de Oliveira Conde (FOC) para a unidade de segurança mínima conhecida por UP-4. O Diário do Acre teve acesso com exclusividade ao documento assinado por Lucas Gomes, no qual ele determina a transição de regime.

Considerado de alta periculosidade, Matheus já havia sido condenado há 21 anos de cadeia por homicídio e estava com julgamento marcado para esta quarta-feira (27), pelo assassinato da estudante de administração Dayane Kédila da Silva, de 29 anos. O crime ocorreu na noite do dia 7 de setembro de 2017, no município de Capixaba. A polícia o apontou como um dos encapuzados que invadiram a residência e atiraram na estudante e na mãe dela, Vaquiria Roque, 49.

Documento comprova a origem da ordem de transferência de Diabão/Foto: cedida

Além disso, Matheus é acusado de outros dois assassinatos e de formação de quadrilha. Sua fuga da UP-4 ocorreu há cerca de dois meses, mas só veio a público após denúncias de suposta facilitação por parte da direção do Iapen.

Dias atrás, Lucas Gomes concedeu entrevista a uma emissora de TV local afirmando que havia instaurado um procedimento administrativo para investigar as circunstâncias da transferência de Diabão do FOC para o UP-4. Ele também mandou afastar das funções o diretor e o coordenador da unidade até a conclusão do inquérito.

Dayane foi morta com um tiro na cabeça e Matheus é o principal suspeito/Reprodução

Ocorre que o memorando 123/2019 prova que foi o próprio presidente do Iapen quem determinou a transferência de Matheus para o regime diferenciado.

Pelas regras do sistema penitenciário, porém, ele não poderia ocupar a unidade de segurança mínima, destinada a presos de baixa periculosidade, grande parte deles com nível superior ou ex-policiais.  

A suspeita de que Matheus Capanerutti seja filho de um oficial da Polícia Militar do Acre aponta ainda para a possível intervenção do andar de cima do governo na decisão de transferi-lo para um regime mais brando.

No dia da fuga, segundo o Instituto de Administração Penitenciária, o preso foragido participava de um curso de marcenaria, no Polo Moveleiro de Rio Branco, quando aproveitou para se evadir de um galpão onde ele e outros detentos esperavam a hora do almoço.

A família da estudante morta em Capixaba teme pela própria segurança. E já havia manifestado à imprensa a suspeita de que Diabão fora beneficiado pela direção do Iapen para poder fugir.

Este espaço está aberto à manifestação do presidente do órgão, Lucas Gomes, e também das demais autoridades da segurança pública estadual.

Atualização às 11h36

O presidente do Iapen, Lucas Gomes, fez propagar uma nota, que o site reproduz a seguir:

1- Não existe “unidade de segurança mínima”, isto é uma invenção do jornal. Presídio é presídio;

2- O preso foi para o UP-4 por ser filho de Militar. Uma medida de segurança; diante do pedido, poderíamos responder por omissão caso acontecesse algo com o preso na unidade onde estava;

3- O preso não fugiu da unidade, mas de um curso em área externa. A apuração inicial indica que o preso não reunia condições para sair da unidade para esse tipo de atividade, por isso houve mudança na direção do presídio na última semana.